E era uma vez uma trilogia...
Os três filmes de Indiana Jones lançados nos anos oitenta têm muito assunto interessante. Poderíamos falar sobre o ícone do herói oitentista, sobre a trilha sonora do mágico John Williams, sobre a química entre Spielberg e Lucas ou sobre a sorte de Harrison Ford (Indiana quase foi vivido por Tom “Magnum” Selleck, o que me faz pensar agora que a sorte foi, na verdade, nossa). Poderíamos fazer um resumo dos três roteiros, o que seria um tanto boring. Façamos, então, algo diferente. Vamos lembrar os momentos mais curiosos, emocionantes e engraçados que ficaram marcados nas nossas retinas e que ajudaram a formar nosso caráter e o nosso mundo nerd, como o conhecemos hoje. Corra, aventureiro, que a grande pedra rolante vem aí!
TRÊS MOMENTOS MAIS MARCANTES
Os momentos que nos emocionaram e que ficaram para a história do cinema.
3º LUGAR – A VOLTA DAS CRIANÇAS AO POVOADO DA ÍNDIA

Em O Templo da Perdição, 1984 (segundo filme da série), o líder de um povoado indiano pede a Indy que resgate a pedra sagrada, roubada pelos novos governantes do Palácio de Pankot, e traga as crianças raptadas de volta. No final da aventura, Indy está voltando ao povoado, acompanhado pela cantora Willie Scott e seu pequeno amigo chinês, Short Round, quando, ao fundo, um mar de crianças, que Indy libertou, vem correndo ao encontro de suas deseperadas e agradecidas mães. Shuif...
2º LUGAR - A ABERTURA DA ARCA DA ALIANÇA

No primeiro filme, que no início se chamava apenas Os Caçadores da Arca Perdida (1981), Indy sai em busca da Arca da Aliança, um lendário tesouro bíblico dentro do qual estaria a tábua dos dez mandamentos, entregue por Deus pessoalmente a Moisés. No momento derradeiro do filme, os nazistas e o francês Belloq abrem a Arca e, diante da liberação do poder contido nela, derretem. Literalmente. Indiana Jones e Marion Ravenwood se salvam, apesar de presentes na cena, pois estavam de olhos bem fechados.
1º LUGAR – INDY SALVA SEU PAI COM A ÁGUA DO SANTO GRAAL

Esta é do final do terceiro filme, Indiana Jones e A Última Cruzada, de 1989. Indy passa pelos três desafios (o homem penitente, o nome de Deus e o caminho de Deus) antes de encontrar a câmara do Graal. Ele escolhe a taça de carpinteiro e leva a água ao seu pai, que fora baleado por Walter Donavan, seu inimigo americano e megalomaníaco (que nesse momento já estava mortinho, pois bebeu na taça errada e envelheceu TUDO em 15 segundos). Ao jogar a água do Graal no ferimento, a pele espuma e o buraco da bala some, salvando a vida do Jones pai. O melhor é o tchauzinho do Cavaleiro do Graal, quando tudo está desmoronando, no final.
TRÊS MULHERES DE INDIANA JONES
Essa é fácil, afinal foi uma por filme. Vamos lá:
3º LUGAR – WILLIE SCOTT (Kate Capshaw)

Na verdade se chamava Wilhelmina Scott (Willie era o nome profissional, assim como Indiana...) e apareceu em O Templo da Perdição. Era uma atriz/cantora de quinta categoria que se apresentava numa boate chinesa. Ela se vê obrigada a seguir Indiana em sua aventura, depois que ele arruma uma confusão com os mafiosos chineses, seduzida por um diamante. Mulheres...
2º LUGAR - Dra ELSA SCHNEIDER (Alison Doody)

De longe a mais bonita e sedutora, aparece em A Última Cruzada. Também é a única que declaradamente dormiu com Indiana Jones (aliás, com os dois Jones). Infelizmente, é também a menos confiável, visto que era austríaca e estava a serviço dos nazistas. Sua ganância pelo Graal a leva a uma morte trágica, apesar de Indy tentar salva-la. Que pena...
1º LUGAR – MARION RAVENWOOD (Karen Allen)

A primeira e mais romântica namorada de Indiana apareceu em Os Caçadores da Arca Perdida e é filha de um velho amigo e professor, Abner Ravenwood (que pensavamos estar morto, mas que reaparecerá no quarto filme). Ela não é lá aquelas coisas, parece uma tábua, mas é destemida e independente e seu carisma fez com que fosse considerada a mocinha oficial da trilogia. Tanto que ela também estará em O Reino da Caveira de Cristal (ela não será a caveira).
TRÊS ÍCONES CLÁSSICOS
Aqueles elementos que eram ou se tornaram marcas registradas dos filmes de aventura:
3º LUGAR – O TESOURO SAGRADO

Na verdade, não é uma criação de Spielberg ou de George Lucas, mas um elemento que vem das histórias aventurescas desde tempos remotos. Em Indiana, os artefatos que são o objetivo das aventuras são, na seqüência dos filmes, a Arca da Aliança, a Pedra Sagrada de Shiva e o Santo Graal, respectivamente.
2º LUGAR – CHAPÉU, CHICOTE E JAQUETA DE COURO

A indumentária de Indiana tornou-se sua marca registrada. Tanto, que os primeiros posteres do quarto filme traziam somente uma caixa de madeira em cuja ponta estavam pendurados o chapéu e o chicote dele. Não podemos esquecer, é claro, da jaqueta de couro, que voltou à moda nos anos oitenta graças ao senhor Jones. Aff...
1º LUGAR – O MAPA DE VÔO

Um elemento usado em todos os filmes de Indiana Jones é o mapa de vôo riscado. Toda vez que Indy parte de avião, de trem ou de zepelin de uma região a outra do mundo, um mapa com o itinerário percorrido fica em primeiro plano na tela e uma linha vermelha vai sendo traçada até o local de destino. Ao fundo ouvimos a trilha sonora e o barulho do transporte tomado. Esse é outro elemento clássico aventuresco que foi muito bem utilizado por Spielberg.
TRÊS MOMENTOS MAIS GALHOFA
Aqueles em que você deveria se sentir mal pelo elenco e pelo diretor, mas que fica impresso na sua retina e do qual você se lembra saudosamente, até que resolve ver novamente (desrespeitando a regra dos quinze anos) e percebe que “trash” era elogio.
3º LUGAR – TOQUE “MANEIRO” DE MARCUS BRODY E JONES PAI

Em A Última Cruzada, quando o Jones pai reencontra seu velho amigo Marcus Brody, a alegria se instaura nos dois e eles protagonizam um toque, no mínimo, estranho. Tocam as mãos e as orelhas enquanto cantam “...olha o gênio da restauração... ajudem em nossa ressureição” (?!). Até seria aceitável, se os dois velhinhos desligados não estivessem no meio de uma perseguição de morte e dentro de um tanque nazista. Aja desprendimento...
2º LUGAR – O BOTE SALVA-VIDAS

Em O Templo da Perdição, Indiana, Short Round e Willie Scott fogem da China num avião inimigo, sem saber. No meio da viagem, os pilotos esvaziam o tanque de combustível e saltam com os únicos pára-quedas a bordo. Sem saída e prestes a explodir contra uma montanha, Indy não tem dúvida: pega um bote salva-vidas inflável amarelo, pede que todos se segurem nele e pula! O bote abre e serve como planador (!) até que eles caem numa correnteza (ainda bem que tinha um bote, certo?) e saem sãos e salvos. Bluehand, em que universo isso seria possível?!
1º LUGAR – O DIAMANTE E O VENENO NA CORRERIA DA BOATE OBIWAN

Na verdade, o primeiro lugar vai para toda a primeira seqüência de O Templo da Perdição, de longe o pior filme da série. Logo na primeira cena temos um musical cuja protagonista é loira e americana (Willie), sendo apresentado numa boate chinesa (chamada Obi Wan, uma referencia a você sabe o quê), onde Indy está negociando um valioso diamante com os mafiosos chineses. Indy comete o crasso erro de tomar da bebida deles e acaba envenenado. Os mafiosos apresentam como barganha o antídoto numa ampola azul e, após um tiroteio, a multidão (!) que estava na boate começa a correr e gritar de um lado para o outro, chutando o diamante e o antídoto sempre que Willie ou Indiana chegassem perto de recupera-los. É realmente primeiro lugar disparado nos top galhofa!
TRÊS MOMENTOS DE DAR NOJO
A sopa da Bruxa do 71 perde feio...
3º LUGAR - SOPA DE OLHOS

Iguaria apresentada em O Templo da Perdição (aliás, como todas neste quesito) quando Willie Scott, depois de ver os pratos mais bizarros, pede algo mais simples, como uma sopa. O garçom do Palácio de Pankot traz uma sopa meio vermelha. Willie cheira, acha que está apetitosa e dá uma segunda olhada. A descrição correta da continuação da cena é “a sopa olha de volta”. Argh...
2º LUGAR – SURPRESA DE COBRA

Ainda no mesmo banquete, um pouco antes. O prato principal é servido. Trata-se de uma mega cobra enrolada. Até que se entende, afinal, tem povo que come cachorro! Mas um dos nativos presentes à mesa faz o favor de cortar a barriga da cobra e – eis a surpresa! – dezenas de negras cobrinhas viscosas e vivas saem de dentro. E, para piorar, o nativo enfia algumas delas na boca, parecendo adorar... Vai ter estômago assim lá na India...
1º LUGAR – CÉREBROS FRESCOS DE MACACO

Ah, a hora da sobremesa. Quando eu era criança, essa era a hora mais aguardada. A recompensa para quem se comportava e comia toda a comida. No final do banquete de Pankot, no entanto, a sobremesa era, vejam vocês, cérebros frescos de macaco, servidos no próprio crânio do bicho! Claro, para quê sujar potinhos?! A cara de Willie só não era pior que a minha, comendo manjar no domingo e assistindo a isso na Temperatura Máxima e prestes a chamar o Hugo...
TRÊS AMIGOS INSEPARÁVEIS
Afinal, todo herói que se preze tem um Tonto que o segue.
3º LUGAR – SHORT ROUND (Jonathan Ke Quan)

Ok, talvez o mais engraçado amigo de Indy. Pena que teve o azar de aparecer justo em O Templo da Perdição. Sua história antes de Jones é triste. Ele era um menino de rua chinês que Indy conhece em uma de suas aventuras e acaba “adotando”. Talvez “adotar” não seja a melhor definição para “usar o moleque como motorista e ajudante e depois largar por aí” (afinal, não se sabe até hoje o que aconteceu com Short Round depois disso...).
2º LUGAR – SALLAH (John Rhys-Davies)

É o fiel amigo árabe de Indiana. Seja no Cairo ou na Jordânia, Sallah sempre aparece para dar uma de anfitrião-guia-ajudante em terras desconhecidas e propensamente hostis. O ator John Rhys-Davies é o mesmo que fez o anão Gimli na trilogia O Senhor dos Anéis. Uma de suas cenas mais cômicas acontece quando ele recebe um selinho de Marion Ravenwood, que se despede ao embarcar no navio do Capitão Gatanga, em Os Caçadores da Arca Perdida. Patético.
1º LUGAR – Dr MARCUS BRODY (Denholm Elliott)

O professor e curador Marcus Brody é amigo antigo da família Jones. É ele quem agencia as aventuras de Jones filho. Somente em A Última Cruzada é que ele decide participar delas também, preocupado com o sumiço do professor Henry Jones, pai de Indy. É numa cena desse filme que sabemos que, certa vez, ele se perdeu em seu próprio museu...
TRÊS IMITAÇÕES BARATAS
Nada se cria, tudo se copia, já diria J. K. Rolling. Vejamos os filmes que se “inspiraram” em Indiana Jones e fracassaram miseravelmente. Ou não.
3º LUGAR – A MÚMIA (THE MUMMY, 1999)

Com Brendan Fraser no papel de Rick O’Connell, um arqueólogo aventureiro (onde eu já vi isso?). Até que tem seu valor, mas não tem a originalidade. Alcançou algum sucesso e continuações mas não há como negar que é um decalque de Indiana.
2º LUGAR – A LENDA DO TESOURO PERDIDO (NATIONAL TREASURE, 2004)

Nesse, Nicolas Cage vive Ben Gates, um caçador de tesouros profissional. Novamente mais do mesmo. Virou, também, um blockbuster com continuação, mas será fatalmente esquecido pela posteridade.
1º LUGAR – TUDO POR UMA ESMERALDA (1984) E A JÓIA DO NILO (1985)

And he winner is... Michael Douglas! Sim, o senhor instinto selvagem, na pele de Jack Colton, um mercenário que vai viver altas aventuras para ajudar uma linda escritora a salvar sua irmã. Tem até Robert Zemeckis dirigindo o primeiro (um ano antes de De Volta Para o Futuro) e Danny DeVito como Ralph. Relmente impagável. Ou não!
TRÊS (OU MAIS) FRASES MEMORÁVEIS
Frases de efeito não necessariamente originais, mas ainda assim memoráveis. Como foram muitas, vamos lista-las por filme.
3º LUGAR – NO TEMPLO DA PERDIÇÃO...
Não poderia ser diferente, até de frases marcantes O Templo da Perdição foi carente. No entanto, talvez tenha a frase mais lembrada de Indiana (inclusive pelo Cardoso, do Blog do Cardoso). Quando Short Roud pergunta o que é Sankara, Indy responde:

"Fortune and glory, kid. Fortune and glory."
2° LUGAR – NOS CAÇADORES DA ARCA...
Aqui temos mais opções. Quando dois oficiais do governo vêm convocar Jones para ir atrás da arca, Indy e Brody falam sobre a lenda segundo a qual estaria dentro da Arca a tábua dos dez mandamentos. Os oficiais ficam espantados e temos um diálogo esclarecedor:

"Major Eaton: O que quer dizer com os dez mandamentos? Está falando dos DEZ MANDAMENTOS?
Indy: É, os verdadeiros dez mandamentos!"
Avançando um pouco, temos o oficial nazista Toht (que é a cara do Marcelo Tas, não?!) entrando na barraca em que está presa Marion, depois que ela põe um vestido branco trazido por Belloq. Toht não perde a oportunidade e solta:

"Vocês americanos são todos iguais. Sempre se vestindo bem para as ocasiões erradas."
Já no final, quando a Arca é salva e levada para os EUA, Indiana fica revoltado com o fim que esse tesouro da humanidade vai ter. Ele questiona ao oficial:

"Indy: Onde está a Arca?
Oficial: Temos grandes homens trabalhando nela nesse momento.
Indy: Que homens?
Oficial: Grandes... homens..."
E a arca termina num galpão cheio de caixas iguais e esquecida pela burocracia.
1º LUGAR – NA ÚLTIMA CRUZADA...
Não poderia ser diferente: o melhor filme, as melhores frases. Primeiro, o jovem escoteiro Indiana Jones, após recuperar a Cruz de Coronado e de ser ignorado por seu estudioso e desligado pai, vê todo o seu esforço ser jogado fora quando o Xerife toma a Cruz e a devolve ao sujeito do chapéu panamá.
Admirando a coragem do jovem Jones, o sujeito diz:

"Hoje você perdeu, mas não quer dizer que tenha que gostar."
Quando os Jones pai e filho encontram a Dra Schneider, Jones pai alerta Indy sobre a traição da austríaca, dizendo que ela era nazista. Mais tarde, Indy pergunta e Jones responde:

"Indy: Como soube que ela era nazista?
Henry Jones: Ela fala enquanto dorme."
E, para terminar, três poéticas frases trazidas pelo clima intelectual que Jones pai trouxe ao filme. A primeira, quando pai e filho fogem de ataques aéreos nazistas e acabam numa praia. Genialmente, o senhor Jones espanta os pássaros pousados na areia que, ao levantar vôo, colidem com a cabine dos aviões nazistas, derrubando-os. Indy, admirado, escuta a explicação de seu pai, que havia se lembrado de Carlos Magno:

"Que meu exército seja a pedra, a árvore e a ave no céu."
Outra dele: quando os Jones chegam a Berlim e vêem as manifestações nazistas, Jones pai solta mais uma pérola:

"Filho, somos peregrinos numa terra pagã."
Mais tarde, quando Jones pai derruba um oficial nazista dentro do tanque apenas jogando tinta de sua caneta no olho do rapaz, Brody tem um insight e solta um velho ditado:

"Henry, a caneta! A caneta é mais forte que a espada!"
* * *
É isso, aventureiros! Relembramos de uma maneira divertida os melhores (ou não!) momentos da trilogia Indiana Jones, que agora virou uma quadrilogia. Não percam o filme, comentem, discutam, comprem o box de colecionador no Submarino!
E, pelo amor de Deus, nunca se esqueçam que Jeová, em latim, começa com I. |