Em 1992, George Lucas achou interessante explorar o passado daquele personagem riquíssimo dos cinemas, mostrando suas primeiras aventuras e, com isso, nasceu The Young Indiana Jones Chronicles (As Crônicas do jovem Indiana Jones), que ganhou aqui no Brasil o título de O Jovem Indiana Jones, quando foi exibido na Globo. A idéia ficou forte depois de mostrarem parte da vida de Jones no começo de Indiana Jones e a Última Cruzada, com River Phoenix como o jovem Indiana.

A estrutura da série traria um Indiana já aos 93 anos que lembraria suas histórias. Esse Indiana mais velho foi interpretado por George Hall, mas toda sua participação foi retirada da edição para VHS e DVD por Lucas. As vezes a aventura mostrava Indiana aos 10 anos (interpretado por Corey Carrier), as vezes aos 17 (Sean Patrick Flanery).

A idéia de Lucas era que, enquanto acompanhássemos o jovem Indiana, aprendêssemos sobre fatos e lugares históricos. Lucas escreveu logo de cara toda a estrutura cronológica que seguiria por toda a série, planejando cada episódio.

Entre as figuras histórias que Indy encontrou estão Pancho Villa (general da revolução mexicana que combateu os Estados Unidos), Lev Tolstoy (escritor russo que difundiu as idéias revolucionárias anarquistas), John Ford (diretor de clássicos do faroeste), Louis Armstrong (trompetista e cantor famoso por “What a Wonderful World”), Sigmund Freud (pai da psicanálise) e Pablo Picasso (pintor revolucionário que iniciou o movimento cubista), entre muitos outros. Com isso, Lucas dava noções históricas a todos, mas nada baseado na imposição.

A série teve uma estrutura sem uniformidade: suas duas temporadas possuem quantidades bem díspares de episódios – enquanto a primeira teve 6 episódios, a segunda teve 24. O grande problema foi que alguns tinham duração de um filme e outros tinham uma hora de duração. A distinção é visível pelos títulos: os de uma hora marcavam o local e o ano da história, e os longa-metragens possuíam títulos como filmes (Jovem Indiana Jones e a Maldição do Chacal, Jovem Indiana Jones e o Escândalo de 1920). Isso complicou e muito a exibição em diversos países. No Brasil, os longas foram cortados em duas partes ou tiveram cenas cortadas o que, claro, prejudica o excelente conteúdo.

Young Indiana Jones Chronicles foi indicado a 23 Emmys e ganhou 10, o que não é pouco. Porém, a audiência não foi satisfatória, e a ABC cancelou. O canal USA ainda exibiu os episódios já produzidos, mas o projeto foi encerrado por ali.

Lucas, sempre conhecido por mexer em material já pronto, decidiu reeditar todos os episódios, juntando dois ou mais episódios no formato de longas, gerando 22 longas. Então, para as versões em VHS e, posteriormente, em DVD, cenas foram cortadas ou reeditadas. É o velho estilo Lucas de criação.

Uma idéia muito boa durou muito pouco.



Por Vinicius Schiavini