SPOILERS!

1- Reparei que a nova versão é um mistura do livro, do filme com Vincent Price e do filme com Charlton Heston.
Francis Lawrence: Eu li os roteiros anteriores. Depois li o livro e vi os filmes. Com certeza fomos inspirados por todas as obras. Fizemos pesquisa como ficaria o mundo naquele tipo de ambiente.

2- Alguma influência de outros filmes de ficção cientifica no visual da produção?
Francis Lawrence: Atualmente, Os filmes de ficção possuem uma estética distinta. O que eu queria era criar um ambiente mais real possível. Como a cidade seria em uma situação apocalíptica sem pessoas. Usei muita luz natural. Não queria nada artificial. Usei a câmera na mão para dar uma atmosfera orgânica. Eu sou fã de filmes de ficção antigos que criavam mundos, mas essa não era a proposta nesse projeto.

3- Como foi filmar em Nova York?
Francis Lawrence: Conseguimos autorização com o prefeito. Fechamos várias ruas e conseguimos parar a cidade por algumas semanas. Os moradores ficaram bastante chateados.
 
4- Você começou a sua carreira com videoclipes. Quais foram as técnicas que você aproveitou para o cinema?

Francis Lawrence: Eu trabalhei 10 anos fazendo clipes. Eu aprendi a trabalhar com diferentes equipamentos, cores, texturas, entre outras técnicas. Quando faço um filme como esse é uma oportunidade para focar nos personagens, na história e não no visual. Você pode discutir o projeto como os atores.

5- Parece que existe mais colaboração no cinema do que na música.
Francis Lawrence: Isso depende do artista. Na música, às vezes, você filma por três dias e nunca mais vê o artista. São profissionais que não curtem videoclipes. Ao mesmo tempo existem artistas como Lauren Hill, que conversa muito sobre projeto, discute idéias e acontece uma colaboração.

6- Nesse filme, como também em “Constantine”, seu filme anterior, você trabalha muito com o visual. E agora pode se concentrar nos personagens.
Francis Lawrence: Eu acredito que cinema é visual. Têm outros profissionais que trabalham muito com diálogos, mostrando pessoas conversando. Tem filmes excelentes assim. Mas eu gosto de contar a história visualmente. Adoro criar mundos. Esse filme foi mais interessante que “Constantine”, pois tem muito pouco diálogo. Você pode contar a história através da emoção e comportamento.

7- Como em “Constantine”, esse filme fala sobre criaturas da noite. Isso pode ser considerado seu estilo?
Francis Lawrence: Não sei. Existem similaridades entre os dois filmes. Mas no próximo vou tentar que não tenha monstros. Eu quero fazer algo diferente. Meu mundo não é só sobre monstros. Eu cresci com filmes sobre monstros e ficção cientifica.

8- Você gostaria de trabalhar em uma produção menor?
Francis Lawrence: Claro. Não é o tamanho da produção que interessa e sim a história por trás do projeto. A trama de “Eu sou a Lenda” foi o que me cativou. Will Smith ainda não estava atrelado a produção. Era um projeto bem menor. Tudo muda com a presença de um grande astro.

9- Como foi a escolha de Alice Braga?
Francis Lawrence: Ela se encaixou perfeitamente no personagem. Originalmente o personagem era britânico. O objetivo era ter uma pessoa de outro país para mostrar que a contaminação foi global. Nosso diretor de elenco encontrou várias possibilidades, como uma australiana, a Alice – brasileira e até uma indiana. Will tinha assistido “Cidade de Deus” e eu também. Conheci-a na época de “Constantine”, mas ela era muito jovem para o papel que foi feito por Rachel Weisz. Trouxemo-la. Ela é uma grande atriz. É linda, sem ser glamourosa. Suas feições angelicais deram um alto grau de autenticidade dela ser uma sobrevivente. Se escolhêssemos uma atriz muita famosa não seria convincente. O mundo acabou e os dois únicos sobreviventes são estrelas de cinema. A química dela com Will foi perfeita. Fizemos uma brincadeira com ela. Ela veio fazer um teste. No próximo dia ela achou que continuaria sendo testada, mas já sabíamos que ela faria o papel. Interessante que ela contrasta com o personagem de Robert Neville. Robert acredita na ciência. Alice acredita na fé. Ao mesmo tempo a sua personagem sendo uma brasileira, deu uma aura de tragédia global. Fica claro que a tragédia não foi só em Nova York.

10- E sobre o final. Nos dois filmes anteriores, Robert Neville é assassinado. Nessa nova versão ele se sacrifica pela humanidade. Era esse o final que vocês tinham em mente?
Francis Lawrence: Não queríamos fazer um filme sem esperança e sombrio. Filmamos dois finais. Um deles mais parecido com o livro e outro mais esperançoso.

11- Os dois finais estarão no DVD?
Francis Lawrence: Sim.

>> Ouça aqui o áudio da entrevista! (5mb)



Por Mário "Fanaticc" Abbade
Fotos Gabriela Magnani