SPOILERS!
1- Como foi atualizar a história de Richard Matheson?
Akiva Goldsman: Tentamos modernizar o material. O vírus foi um paralelo com a bactéria do material original no livro escrito por Richard Matheson. Nos anos 50 eram vampiros. Não tinha como manter essa idéia. Mantivemos o espírito original com a agressividade e a fome das criaturas na nova versão. O roteiro desse filme é uma combinação do livro do Matheson e o script da versão com Charlton Heston.
2- Você tanto produz quanto escreve scripts. Já pensou em dirigir seu próprio filme?
Akiva Goldsman: Eu penso nisso, mas ainda não encontrei alguém que eu pudesse fazer um trabalho melhor.
3- Você escreveu 4 roteiros para o realizador Joel Schumacher, mas o último data de 1997, com Batman & Robin. A parceria foi desfeita? Existe algum plano para voltarem a trabalhar juntos?
Akiva Goldsman: Eu o adoro, mas quem sabe quando trabalharemos juntos de novo.
4- Qual foi o seu pior pesadelo nessa produção? Recriar a cidade?
Akiva Goldsman: Recriar a cidade foi o mais fácil. Fechar as ruas de Nova York por semanas foi o grande problema. Isso foi a primeira vez que aconteceu na cidade.
5- O Oscar pelo roteiro de “Uma Mente Brilhante” mudou algo de significativo em sua carreira? Dizem que existe a maldição do Oscar.
Akiva Goldsman: Isso não verdade. Só acontece com as vencedoras de Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. E não ganhei nessa categoria. Ajudou-me bastante. Primeiro porque Hollywood gosta de apostar no certo. Uma outra coisa é que é bom ganhar, mesmo que seja uma vez. Amanha você é atropelado por um trem e eles vão dizer: “Vencedor do Oscar morreu...”.
6- “Eu sou a Lenda” é a sua segunda parceria com o diretor Francis Lawrence. Fale um pouco de sua relação de trabalho com o realizador.
Akiva Goldsman: Ele é uma ótima pessoa. Nesse ramo, como outro qualquer, existem pessoas competentes e pessoas maravilhosas. Francis tem ambas as características. Apesar desse filme parecer enorme, a equipe por trás do conceito era pequena. Era eu, Will, Francis e o cachorro. Depois chegou a Alice. Foi ótimo, dinâmico e divertido.
7- Quais foram as maiores dificuldades de adaptação do romance de Richard Matheson?
Akiva Goldsman: A idéia por trás da historia é ótima. Eu liguei para o Matheson e disse eu era o idiota que ia estragar seu livro. Enviei para ele o roteiro e ele adorou. Fiquei até surpreso. Convidei-o para ir às filmagens, mas a idade avançada o impediu de comparecer. Mas ele assistiu ao filme e adorou. Enviou-me uma carta. Interessante que ele ainda tem hábitos antigos. A carta foi digitada em uma máquina de escrever, e o texto ainda tinha alguns consertos feitos a mão.
8- O que você acha da história?
Akiva Goldsman: Claro que Matheson estava tentando dizer algo. O personagem é muito sozinho e isolado. Fica evidente que é alguma metáfora sobre seus sentimentos. A ficção cientifica dos anos 50, 60 e 70 sempre teve esse objetivo. Elas traziam algum comentário social da época que foi escrita. Um exemplo é “Planeta dos Macacos”, que fala sobre o racismo. Infelizmente isso não acontece mais. Ficção virou sinônimo de filme de ação. Os comentários têm surgido nos filmes de fantasia.
9- Como no “Senhor dos Anéis”?
Akiva Goldsman: Exatamente. Tentaram isso também na “Bússola de Ouro”. Não sei se vão fazer outro, por causa do resultado nas bilheterias nos Estados Unidos. Ficção cientifica não tem sido levado a sério, e tentamos mudar isso com esse filme.
10- Hoje em dia quase não temos roteiros originais. Temos muitas adaptações e refilmagens. O porquê disso?
Akiva Goldsman: Isso é verdade nas grandes produções. Nos pequenos filmes isso não acontece, como no recente “Juno”. Os filmes ficaram tão caro que os estúdios querem investir no certo. Algo que as pessoas possam reconhecer e as motivarem a ir ao cinema. O que eu procuro fazer é subverter o tema. No caso de “Uma Mente Brilhante”, aqueles personagens imaginários não estão no livro. Eu procuro adicionar elementos a obra.
11- Parece que Hollywood adora destruir Nova York. O porquê disso e se o filme funcionaria em outra cidade?
Akiva Goldsman: Nova York é uma cidade do mundo, por isso que ela é sempre o alvo. No caso de “Eu Sou a Lenda” a história acontece originalmente em Los Angeles, pois é uma ótima metáfora. Los Angeles é uma cidade vazia por natureza. Não tem ninguém nas ruas no meio de uma tarde movimentada. Já nova York nunca está vazia, mesmo em uma dia catastrófico. Eu estava lá no 11 de setembro e a cidade estava lotada. E foi um desafio filmar lá. E o efeito de contar essa história em Nova York. Ela se transformou em um personagem.
12- Tem uma certa homenagem a versão com Charlton Heston, com a metáfora sobre Jesus Cristo.
Akiva Goldsman: Já me disseram que tanto em “Eu, O Robô”, que eu também roteirizei e produzi, e em “Eu Sou a Lenda” são metáforas sobre Jesus Cristo. Olha que sou judeu.
13- Talvez Mel Gibson adore seus filmes.
Akiva Goldsman: Espero que não (risos). Não procurei essa identificação, mas existe nas culturas espalhadas pelo planeta essa identidade com histórias sobre heróis solitários que se sacrificam. É um arquétipo.
14- E os personagens em CGI do filme?
Akiva Goldsman: Nós tentamos com atores, mas não deu certo. Umas 100 pessoas atacando e correndo pelas ruas de Nova York. Eles não se moviam na maneira certa. Parecia falso. Mas usamos a técnica de captura de performance com atores e depois os criamos em CGI.
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