DIA 7 – Conversas com animadores, com a direção e a premiada sessão de premiação.
O último dia foi basicamente a sessão de premiação. Mas antes, pude conversar com 3 dos diretores do festival que, amigavelmente aceitaram dar uma palavrinha pra gente. Eis aí as palavras de Marcos Magalhães (um dos grandes nomes da animação brasileira com curtas como Animando) César Coelho e Aida Queiroz (diretores do Estúdio de animação Campo 4) .
Jovem Nerd: 15 Anos de Festival, vocês são os pais desse evento maravilhoso. Como é hoje estar a frente desse adolescente com peso de gente grande?
Marcos Magalhães: É bem parecido! Já tenho dois filhos crescidos que já passaram dos 15 e eu estou tendo a sensação parecida de que o filho está crescido, começando a experimentar novos caminhos, pronto para experimentar a vida. Não me sinto mais o dono, o cara totalmente responsável do festival. Acho que ele já está encrustado, ele permanece. Mesmo que ele acabe, o legado já é bem grande, vai ter efeitos para sempre. Mas eu acho que ele continuará e vai se expandir porque tem muita coisa nova acontecendo. Parei para pensar quanta coisa aconteceu de 15 anos para cá e quanto ainda tem pra se explorar de novas tendências, a outras culturas, outro jeito de fazer animação que queremos continuar pesquisando.
Aida Queiroz: O que mais me surpreende no festival, depois desses 15 anos é ver que um projeto fundamentado em emoções gerou um mercado de animação em nosso país. Para mim o Anima Mundi não é mais um adolescente. Ele já é um adulto e com grandes responsabilidades. Fico muito feliz com isso.
César Coelho: Normalmente a gente não quer que o filho saia de casa. Queremos ficar o maior tempo possível com ele. Mas esse filho já foi pra São Paulo. Hoje em dia vive andando com os amigos para Belém, Brasília, vive na Internet (risos). É um orgulho muito grande.
Até hoje me espanta ver como a coisa evoluiu a esse ponto. A gente queria fazer uma promoção da animação brasileira, mas a gente não esperava que a coisa não chegasse a essa grandeza. Mas o mérito não é só nosso. Na verdade o mérito tem que ser dividido com várias pessoas: Primeiro os autores tanto estrangeiros quanto brasileiros, e segundo lugar ao público.
A gente tende a dizer que o público é parceiro, é produtor, é quem dá uma força, está sempre ajudando, facilita muito as coisas pra gente. Quando a gente chama pra participar, o público o faz com a maior disposição. Se o Anima Mundi chegou a esse status internacional é porque ele tem esse diferencial entre os festivais do mundo todo. É essa maneira como o público se envolve. Inclusive os maiores prêmios são pelo Júri Popular. É legal ver as pessoas saindo das sessões discutindo a nota que colocaram, se preocupando com isso. Enfim 15 anos, mas com força para quem sabe até ter filhos e a animação brasileira chega num patamar que pra gente corresponder temos que fazer um festival ótimo.
Por fim, a sessão de premiação que foi apresentada pelo comediante Marcos Caruso num show de simpatia e não vou me ater a detalhes, mas os campeões da noite foram citados durante os outros dias. E uma coisa muito boa é que as três melhores primeiras obras foram brasileiras e a noite foi de “Até o Sol Raiá” que além de melhor primeira obra, levou a estatueta de melhor animação Brasileira. Conversei com o pessoal que produziu o curta.

Leandro, Fernando (Até o Sol Raiá) e Gabriel Cruz
Jovem Nerd: Primeiro Anima Mundi e já levaram 2 estátuetas de cara. Como estão se sentindo?
Leandro: É o nosso primeiro festival e pudemos ver o pessoal aplaudindo. Não esperávamos tanto.
Fernando: Melhor impossível, não esperávamos 2 prêmios. Estava aqui sem saber o que fazer. Passamos 3 anos e meio de produção. Paramos de vez em quando para capitalizar recursos para o curta, os apoiadores foram fundamentais. A estréia do Anima Mundi foi muito gloriosa. Estou sem acreditar. Estou aqui com o troféu na mão sem saber o que fazer com ele. (risos)
Jovem Nerd: Daqui pra frente?
Fernando: Mais curtas se Deus quiser. É muito bom trabalhar com cultura, com entretenimento em geral. É muito legal ouvir as pessoas falando “Ah o seu curta é muito bom!”; “É fofinho”. Inacreditável. Muito bom. Queria agradecer a todos os que ajudaram e os que torceram, tanto a favor quanto contra. A quem teve paciência ou não!
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