DIA 3 – Tamanduás, Garotos voadores, leituras de cordel e papos animados Canadenses.

O terceiro dia de visita ao festival foi um dos mais tranqüilos, algumas sessões de curtas me mostraram, entre outras coisas, que os brasileiros estão aumentando a qualidade de suas animações.

O curta Bandeira de Antonio Fialho é uma fábula contemporânea onde numa cidade de cães, um tamanduá tenta encontrar seu lugar para sobreviver e tudo termina em samba;

O sensacional curta Disputa entre o diabo e o padre pela posse do cênte-fór na festa do santo mendigo de Francisco Tadeu e Eduardo Durval, feito em 2D, numa ilustração baseada nas literaturas de cordel, a história de um coronel, dono de um time de futebol que corria atrás do seu jogador principal para uma partida contra o Palestra Itália, mas o jogador tinha ido a uma procissão; e numa sessão infantil o curta Leonel Pé de Vento, que conta a história de um menino que flutuava e por isso era descriminado pelos moradores de sua cidade.


Leonel Pé de Vento

O filme foi super aplaudido pelas crianças que assistiam (aplaudiam, batiam pé no chão e faziam a praça animada tremer) e isso foi uma grande surpresa para o animador Jair Giacomini que estava assistindo a sessão e deu uma palavrinha comigo sobre essa experiência.

Jovem Nerd: Como você se sentiu nesse momento que realizava um sonho, ou melhor, dois: Fazer um curta e passar no Anima Mundi. Como foi para você ver a reação do público com seu filme?

Jair: Minha relação com o Anima Mundi tem vários estágios. No início acompanhava à distância. Eu moro em Porto Alegre e só sabia da existência do Anima Mundi. Depois passei a assistir alguns filmes quando surgiu o DVD da seleção de curtas do festival. Depois em 2004 quando comecei a fazer o filme depois de ganhar no edital do Ministério da Cultura, pensamos “Bah! Vamos rumo ao Anima Mundi!” Mas sem muita pretensão, pois não sabíamos como ia ficar o filme no final. E no ano passado, ao finalizar o filme aqui na Labocine no Rio de Janeiro, pude vir pela primeira vez ao festival e vi duas sessões. Foi a primeira vez que participei. E nesse ano colocamos o filme e foi selecionado. E isso é uma realização ter um filme no Anima Mundi. E acho que para todos que trabalham com animação é uma realização ter um filme no Festival.

Jovem Nerd: Fale mais um pouco sobre a recepção do público em relação ao filme.

Jair: Quando a gente fez o filme, pensamos em fazer para todos, mas por parte das crianças temos recebido um carinho especial. Mas também por parte de adultos, enfim pessoas de todas as idades. Mas as crianças têm tido um carinho muito maior. Por isso eu tinha notado que o filme, apesar de ser para todas as idades, tem um lado especial para as crianças.

Com os outros curtas apenas destaco o Burning Safári da Gobelins e que você pode conferir aqui.

Após essas sessões fui assistir a uma palestra dos animadores brasileiros que foram fazer um workshop no National Film Board of Canada. Diego Stoliar e Jonas Brandão, que fizeram questão inclusive de relatar essa bravíssima saga no Blog National Film Board Brasil. Eles também deram uma pequena palavrinha para a gente.


Diego Stoliar e Jonas Brandão

Foram para o Canadá, 3 meses, de repente, fizeram um curta, voltaram, e mostraram em primeira mão para a galera daqui. Conta aí, como estão se sentindo?
Diego: Mais Nerd! (risos) Desde que comecei a fazer animação, todos os dias aprendo alguma coisa importante. Depois de ir lá então, passou a ser mil coisas a aprender todo dia, porque além de aprender coisas sobre viver em outra cultura ou coisas sobre o National Film Board estávamos fazendo o nosso filme. Nem foi o meu primeiro filme autoral. Este foi com o Marão (www.maraofilmes.com.br), mas foi o que eu fiz primeiro sozinho, tive que resolver problemas de direção, enfim uma experiência completamente inesperada, pois foram 10 dias para fazer o projeto, mais 10 pra ser selecionado e mais 10 para ir. Enfim, em menos de um mês estava indo para o Canadá com 26 anos de Rio de Janeiro tendo saído uma ou duas vezes. Foi uma experiência surreal.

Jonas: Foi muito gratificante porque fiz muito pouca coisa na animação e de repente vou pro Canadá, vou no National Film Board, vou fazer um filme, vou dar palestra no Anima Mundi. Não poderia querer algo melhor

E recomenda para os animadores aventureiros ?
Diego: Pra todo mundo com certeza! Tentamos colocar o máximo de coisas possíveis no site. Então acho legal aproveitar que a galera está aí lendo o Jovem Nerd e visitar o NFB Brasil que lá a gente colocou o máximo de dicas para quem quiser ir. Se você daqui a algum ano estiver fazendo o seu projeto para ir, com certeza vão ter algumas dicas legais.

Jonas:As pessoas têm que aproveitar, estamos num cenário bom de animação, tem muita coisa acontecendo: editais, longas, projetos de co-produção... então a animação está revitalizando, está engatinhando, vai melhorar e teremos chances de muitas outras coisas, então as pessoas tem que preparar o seu projeto e tentar, mas o projeto tem que ser bem feito. Não adianta mandar por mandar, dar coesão, consistência e mandar. Não perder a consistência.

Os curtas ainda estarão em breve no site do NFB e publicarei no JNN quando isso acontecer.

Então chegamos ao final do dia para mais um Papo Animado, dessa vez com mais uma figuraça do National Film Board: John Weldon. Ele mostrou um pouco da sua retrospectiva de filmes de histórias cômicas. Sua técnicas são variadas (ele até fez um filme de sucata numa técnica que foi batizada de “Recyclomation”) Mas basicamente ele faz animações com 2d e no início em quadros de 5 polegadas (em papéis menores se desenha mais rápido- dizia ele no papo animado). Alguns dos curtas mostrados foram  The Log Driver's Waltz que você pode conferir aqui e se você tiver paciência veja o premiado Special Delivery aqui.

 


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