DIA 2 – Poetas, Marias e Bate Papo com animadores.

Alguns dos destaques do dia de hoje estavam na sessão curtas 10:
- O vencedor do Oscar, The Danish Poet (O Poeta Dinamarquês). Curta que teve participação do National Film Board of Canada (praticamente um selo de qualidade de animação) faz jus aos prêmios que tem colecionado, animação belíssima com uma história que agrada. O espectador nem sente os 15 minutos do curta que conta como nós dependemos de uma série de fatores para simplesmente existirmos.


Vida Maria

- O curta brasileiro “Vida Maria”, vencedor de vários prêmios, veio pra marcar uma presença forte. Dirigido por Márcio Ramos, a animação conta a história da nordestina Maria José que, aos 5 anos tem que largar os estudos para trabalhar e ajudar a família.   
  
Conversei com o diretor que estava presente logo após a sessão. Ele observou que ficou impressionado com a aceitação do público, pois além do fato da história retratar uma situação do nordeste, ela entra mais fundo, fala de como certas atitudes contra a liberdade humana podem mudar uma vida, e isso é comum a todos. Marcio também teve algumas dificuldades na produção e fiz então algumas perguntas a ele.

Jovem Nerd: Quanto tempo durou a produção do filme?

Marcio: O tempo planejado era de 8 meses com uma equipe de 7 a 8 pessoas. Acabou que desde a aprovação do projeto pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará até o recebimento do dinheiro foram 7 meses. Ficou difícil manter a equipe assim e então no fim das contas eu fiquei sozinho, pois a equipe se dissolveu e eu renegociei o prazo com a Secretaria de Cultura.
No final das contas eu fiquei 2 anos produzindo o filme. Fiquei um ano dividindo o trabalho de produção de publicidade com a animação até que eu vi que não ia terminar o trabalho no prazo que eu estava querendo. E então passei o outro ano só para o filme.

Jovem Nerd: O filme já veio sendo selecionado na sessão oficial de abertura, as pessoas estão aplaudindo. Como está sendo para você ver essa receptividade do filme no Anima Mundi?

Marcio: O filme já passou em outros festivais de cinema do Brasil. Foi junto com documentários, curtas e ele veio até ganhando, mas não em festivais especificamente de animação. O Anima Mundi é o primeiro festival de animação que estou participando. Estou agora sendo lançado às feras, por ser um festival de animação, estou junto com muitas outras espécies e técnicas de animação participando do projeto, é maravilhoso, um sonho de consumo. Isso é muito legal.

Após uma outra sessão de curtas fui participar de um Fórum sobre educação e animação onde vi iniciativas como o Anima Escola que oferece uma série de oficinas de animação nas escolas e professores, que falaram de suas atividades utilizando a educação como método de auxílio para o aluno. Iniciativas essas tomadas nas escolas particulares e, para minha grande surpresa, nas escolas públicas. É interessante ver que existem esforços assim e torço pra que sejam divulgadas e ampliadas para mais e mais escolas.


Sirius

E no final da noite, o Papo Animado, as sessões mais concorridas do evento (sempre com as mesmas caras na sala de cinema do CCBB). Esta noite com a presença de Alê Abreu, que tem 2 belíssimos curtas autorais:  “Sírius” de 1993 e “O Espantalho” de 1998 que serviu de pano de fundo para o clipe “Não me deixe só” da cantora Vanessa da Mata.


O Espantalho

Mas não é só isso. Ele trouxe, além de mais um curta e algumas propagandas, o Making of do seu LONGA (isso mesmo, eu disse longa) O Garoto Cósmico, que foi exibido em primeira mão no Anima Mundi. Alê passou quase 8 anos produzindo o longa numa tarefa hercúlea e agora lança para o mundo ver. Após o Papo Animado, fiz mais 2 perguntas a ele.

Jovem Nerd: Como é, depois de quase 8 anos heroicamente fazendo um filme, ver a receptividade das pessoas?

Ale Abreu: Uma loucura, uma sessão diferente da outra. É um prazer ver o carinho das pessoas, na primeira sessão que teve aqui, as pessoas vieram falar comigo e elas se mostraram muito receptivas em relação ao filme. Acredito que eu através do olhar delas eu finalmente consiga enxergar o meu próprio filme.

Jovem Nerd: E para os animadores que querem correr atrás desse objetivo, que querem fazer seus próprios curtas e até mesmo o seu próprio longa, que palavras você recomenda?

Ale Abreu: Mergulhem nos livros, nunca deixem de estudar, não só animação mas cinema, acho que tudo entra nessa panela. Tudo se mistura, nunca deixem de ler muito e de mergulhar no entendimento da sua própria cultura, da sua própria identidade.

 


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