Terror em Silent Hill | Crítica
| sábado, 7 de junho de 2008 | Mário "Fanaticc" Abbade |
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Ainda me lembro da primeira vez que joguei Silent Hill e como fiquei perturbado em ter que correr pela névoa em uma cidade deserta, sem saber o que ia encontrar pela frente. Cineasta Christophe Gans conseguiu reproduzir esse ambiente com perfeição no filme. Terror em Silent Hill (Silent Hill, 2006) conseguiu ainda ser mais assustador que o jogo, já que durante a projeção não tínhamos um joystick para controlar as ações.
Da mesma forma que no videogame, o filme prioriza o clima e o visual do que a história. Rose da Silva (Radha Mitchell) leva Sharon (Jodelle Ferland), sua filha adotada, para a cidade fantasma de Silent Hill, na tentativa de descobrir a origem dos seus problemas. Toda vez que Sharon anda sonâmbula na direção de um penhasco, ela pronuncia Silent Hill. Christopher (Sean Bean), marido de Rose, é contra esse plano. Graças a tentativa de Christopher de impedir Rose de ir à tal cidade, ela acaba sendo perseguida por uma policial, Cybil (Laurie Holden), que se veste como uma lésbica dominatrix. Perto da entrada da cidade, ela tem um acidente e acaba desmaiando. Ao acordar, percebe que sua filha sumiu. Ela parte em busca da filha na cidade deserta.
O filme alterna cenas de Rose junto com a policial em busca da filha, com Christopher junto com um xerife (Kim Coates) local tentando encontrar sua esposa na mesma cidade. Fica claro que Rose, Sharon e Cybil estão numa realidade alternativa, enquanto Christopher está no mundo real. O filme pode ser dividido em duas partes. Na primeira acompanhamos Sharon em busca de sua filha. Na segunda temos as explicações do que aconteceu na cidade e com a misteriosa menina que se parece com a filha de Sharon.
Diretor Christophe Gans (“Pacto dos Lobos”) e roteirista Roger Avary (“Pulp Fiction”) criaram um universo burlesco, singular e estranho. O filme até parece um enorme pesadelo horripilante. É impossível não ser transportado para a realidade criada pela dupla. Silent Hill é uma cidade decadente e nas andanças de Sharon, ela confronta monstros.
Quando chega a “Escuridão” (Darkness) é quando as criaturas surgem e a matança começa. Red Pyramid é o que chama mais a atenção. Um gigante que carrega um facão enorme, seguido por pequenas criaturas que devoram tudo na sua frente. Tem ainda um grupo liderado por Cristabella (Alice Krige, assustadora mesmo sem maquiagem), que sacrifica mulheres acusadas de bruxas para limpar a cidade do mal. Quando as sirenes tocam, as pessoas da cidade precisam correr para a igreja. A sirene significa que Silent Hill irá descer para o inferno. Fica claro que o “Inferno” de Dante é a inspiração para Christophe Gans e o seu estilo de dirigir calcado no Grand Guignol.
Tecnicamente o filme é sensacional. A cidade e seus diversos ambientes são assustadores. Os movimentos de câmera são surpreendentes, ajudando a criar um clima de maior precariedade na cidade. A imaginação é o forte de Gans e sua equipe. Destaque também para Dan Laustsen, diretor de fotografia e Carol Spier, cenógrafa. Fica uma clara alusão aos filmes dos cineastas Dario Argento, Lucio Fulci e outros diretores que valorizam o impacto emocional de imagens grotescas a uma história com lógica. Terror em Silent Hill prende o espectador, por deixá-lo na dúvida em relação a tudo que é apresentado e o que pode ainda vir acontecer. O imprevisível é o pilar da narrativa. Atributo cada vez mais esquecido pelos realizadores de filmes de terror.
Tags: Crítica, Silent Hill, Video Games



