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Star Wars - Episódio III | Por que gostamos de Star Wars?


sábado, 7 de junho de 2008 Alottoni, o Jovem Nerd

“Bobo. Sem emoção.”

“O George Lucas está decadente. Esses filmes não se comparam aos antigos.”

“Odiei esse filme. É lento, chato, parece um videogame. E olha que eu conheço os outros filmes, sei o nome dos personagens e tudo.”

Calma. Não me batam! Essas NÃO são minhas opiniões.

Das críticas negativas a Episódio II: Ataque dos Clones que ouvi, essas foram as que mais marcaram, no entanto escolhi por não começar uma discussão inútil de fã contra não-fã. Principalmente no caso da última, que foi dita pelo meu chefe em alto e bom som. É neste momento em que me seguro e falo comigo mesmo: “Perdoai-os, Pai , pois não sabem o que dizem”.

E é verdade. Sob o meu ponto de vista. Mas será que eles estão certos sob os seus? Pode-se dizer que sim. Afinal, ninguém escolhe não gostar de obra de arte, uma música ou um filme. A percepção do mundo a nossa volta é, em todos momentos, dirigida pelo conjunto de valores que regem nossas vidas. Como fomos criados, que profissão escolhemos, o que achamos mais importante para nossas vidas, o que nos traz felicidade.

Esse conjunto de valores cria um filtro imaginário em nossas mentes, que inconscientemente separam o que faz parte deles, e o que não. Quando algo que vemos ou ouvimos atravessa este filtro, nos sentimos tocados. Quando não, simplesmente não porduz efeito algum. Então, fãs, não fiquem zangados quando alguém falar mal de Star Wars ao seu lado. Pense nos valores. Cada um tem os seus.

Mas por que Star Wars toca tantas mentes neste mundo, a ponto de levar muitas delas ao fanatismo?

O QUE É STAR WARS?

“Era uma vez…”

“Há muitos séculos, em um reino longínquo…”

“Há muito tempo atrás, em uma galáxia muito, muito distante…”

A saga Star Wars já se explica na frase de abertura dos filmes. Como George Lucas afirmou ao jornalista Bill Moyers da revista Time: “Com Star Wars, eu conscientemente tenho fixado minha idéia sobre recriar mitos e motivos mitológicos clássicos. Eu quis lidar com assuntos que existem hoje.

“Não é difícil ler os episódios de Star Wars como contos de sabedoria” , afirma o psicólogo americano Jonathan Young, especialista em mitos. Em especial, pode-se destacar a necessidade de se ouvir a voz interior, confiar em seus sentimentos, aprender com os mais sábios, ter paciência.

Sobretudo, é uma grande saga sobre amor e redenção. Pois é pelo amor ao filho, no clímax da história, que, mesmo conhecendo-o tão pouco, Vader deixa todo seu passado negro para trás para salvá-lo e destruir aquele que foi seu mentor por mais de vinte anos. E seu filho o perdoa imediatamente de todo mal que lhe fez no passado, tentando ainda salvá-lo do auto-sacrifício.

De fato, Star Wars é um grande conto de fadas, enraizado em histórias mitológicas heróicas (mesma fonte em que bebeu o autor de O Senhor dos Anéis, J.R.R. Tolkien), apresentando conceitos fundamentais, que fazem parte da tradição oral e literária desde Ilíada , a grande epopéia de Homero, passando pelas narrativas mitológicas e históricas orientais, tomando forma no cinema antigo e em clássicos de Akira Kurosawa.

Tudo isso enlatado em uma linguagem jovial e hollywoodiana, com o propósito, segundo Lucas, de fazer com que multidões de hoje possam se conhecer melhor através de mitos ancestrais sobre a condição humana.

O que o cineasta realizou, não é diferente de expressões como, por exemplo, o do movimento carismático da Igreja Católica, muito popular aqui no Brasil. Foi a forma da Igreja atrair de volta os jovens que se afastavam das tradicionais missas, com um sermão mais dinâmico (sendo realizado inclusive por mulheres), músicas alegres e contagiantes, com direito a palmas e tudo. Mais ou menos o mesmo caminho do movimento gospel das Igrejas Protestantes americanas.

Muda o público alvo, muda a linguagem. A mensagem é a mesma.

George Lucas conseguiu traduzir tudo isso em uma história que atingiu em cheio a geração amamentada por histórias em quadrinhos, westerns e ficção-científica. Star Wars revolucionou a história do cinema com uma febre nunca vista antes. Até 1977, “O Planeta dos Macacos” que era considerado um sucesso comercial, havia faturado US$ 26 milhões de dólares nas bilheterias. Mas Star Wars bateu de longe, faturando US$ 461 milhões, só nos Estados Unidos.

E assim, o universo que mistura conceitos medievais e futurísticos adquiriu sua legião de fãs. E para sorte do diretor, essa era a geração do consumo. Star Wars é um grande produto. Por vinte anos, a saga continuou vendendo, vendendo, vendendo. E dessa maneira o universo expandiu-se muito além dos filmes. Com livros licenciados, histórias em quadrinhos, milhares de brinquedos, jogos de computador, videogame, tabuleiro, e muito mais.

POR QUE GOSTAMOS DE STAR WARS?

Por que consumimos Star Wars por quase 30 anos (e mais por vir)? Será que, por nossa condição nerd, somos simplesmente atraídos pelos super-vilões, naves espaciais e espadas coloridas como formigas por açúcar?

Acredito em algo mais. Assuntos pertinentes à existência humana constumam misteriosamente atrair nossa atenção. Mesmo que disfarçada sob uma capa preta ou em um grande conflito em um mundo de fantasia, alguma vozinha parece nos cochichar: “Ei, preste atenção nisso, estamos falando sobre a vida, sobre você!”

Independente do fato de Star Wars ser uma fábrica de dinheiro, a saga ainda fala sobre coisas antigas, que já foram contadas muitas vezes, de muitas formas distintas. Não tenha medo de admitir que encontrou sabedoria em uma lata. Afinal, quem é o dono da receita? E para os que discordam, entendam que a beleza desde universo, como a verdade, está nos olhos do observador.

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