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Speed Racer | Crítica


domingo, 8 de junho de 2008 Mário "Fanaticc" Abbade

Filme em formato de desenho animado.


Em 1992, os estúdios da Warner Bros. deram a largada no projeto de trazer o clássico desenho animado Speed Racer para o mundo do cinema de carne e osso (e motores e pneus). A bandeira quadriculada será acenada amanhã, 9 de maio, estréia mundial (incluindo no Brasil) do filme dirigido pelos irmãos Larry e Andy Wachowski.

Baseado na famosa animação dos anos 60, o longa traduz com perfeição a estética do cartum, embalado em um visual arrojado, capturado no formato estético dos atuais videogames. Mesmo com esse aspecto artificial, o espectador é transportado para dentro da trama. Todo esse maneirismo técnico está a serviço da nostalgia e da modernidade, que se mesclam em um inocente conto de fadas retrofuturista, temperado com uma epistola familiar. Os atores entenderam a proposta e interpretaram de forma caricatural seus personagens sem cair nas armadilhas da pieguice.

O filme só não é perfeito pela pouca emoção destinada ao registro das corridas. Uma característica que não desabona o projeto, mas que pode incomodar os fãs do desenho original. Para esses, os Wachowski reservaram uma dezena cenas saudosistas. Há o enigmático Corredor X, Gorducho e Zequinha escondidos na mala do Mach 5, Trixie acompanhando a corrida em seu helicóptero rosa, carros insanos protagonizando manobras radicais e Pops Racer rodando os bandidos por cima de sua cabeça durante uma briga, entre outras seqüências. O próprio Speed aplica sua tesoura voadora no pescoço de um dos vilões. No quesito das corridas, possui um rali que lembra muito as corridas do desenho original, em que o Mach 5 salta sobre obstáculos e carros. Nas provas de circuito fechado, com um traçado praticamente oval, que o filme deixa a desejar.

O roteiro não investe num lado sombrio ou realista. Também não espere diálogos profundos. O produtor Joel Silver (parceiro dos irmãos diretores da trilogia Matrix e V de Vingança) queria um filme que pudesse ser visto por todo o público. Para isso era necessário limar violência, sangue e palavrões. Características pouco associadas ao trabalhos anteriores dos Wachowski. – Nosso objetivo foi manter a espinha dorsal dos episódios com os mesmos maneirismos visuais e narrativos, mas com uma estética moderna, coerente com as transformações tecnológicas do mundo atual - explica Larry Wachowski. Tenha em mente que o longa é voltado para o público infantil. Para curtir a corrida sem derrapagens, é necessário acordar a criança que existe em você.

Speed (Emile Hirsch) é um jovem piloto comum instinto natural para o automobilismo. O filme começa com o rapaz em seu vestiário a poucos instantes do início de uma corrida. Num flashback, sua fantasia infantil de ser um corredor de sucesso toma vida. O objetivo de Speed é vencer The Crucible, um rally que, anos atrás, tirou a vida de seu irmão Rex.

Apoiado por sua namorada Trixie (Christina Ricci), Speed entra na prova ao lado de seu antigo rival, o Corredor X (Matthew Fox). – Em comparação com o desenho, é todo um novo universo criado pela mente insana dos Wachowski. Eles são peritos em inventar mundos singulares – diz Hirsch, visto em filmes como Natureza Selvagem. O ator arrisca uma definição mais específica: - É uma combinação da obra de Andy Wahrol com a estética, por exemplo, o clássico Blade Runner.

O clima de “aventura familiar” perpassa o longa. Speed é leal ao negócio da família, comandado por seus pais Pops (John Goodman) e Mom Racer (Susan Sarandon). Pops criou o Mach 5, um carro repleto de equipamentos. O outro vértice do clã é o Corredor X, que pode – ou não – ser o irmão desaparecido de Speed. – X é o lado sombrio do segredo. O cavaleiro mascarado que irá dividir o espaço com o Speed. Com certeza vai conquistar uma outra parte do público – conta Matthew Fox, mais famoso como o Jack da série de TV Lost. – Meu filho tem 6 anos e, quando me viu vestido com o uniforme e a máscara, achou que tinha virado um super-herói!

Christina Ricci não usa máscara no filme. Mas acredita que seu personagem, também será uma heroína para o público feminino: - Trixie é a resposta feminina ao Speed e ao Corredor X. Ela luta kung fu, é uma ginasta, sabe pilotar carros e helicópteros. Faz isso tudo sem perder a feminilidade e sem borrar o batom.

A corrida da Warner para pôr Speed Racer no cinema foi repleta de derrapadas. De 1992 para cá, vários atores e diretores se associaram e foram dispensados do projeto. Em 1994, o cantor Henry Rollins foi convidado para interpretar o Corredor x. No ano seguinte, foi a vez de o ator Johnny Depp aceitar o convite para personificar Speed, sob a direção de Julian Temple.

A equipe debandou e o estúdio considerou entregar o projeto para Gus Van Sant (que recusou por não poder escrever o roteiro) e Alfonso Cuarón (com J.J. Abrams, criador de Lost, como roteirista). Até o ator Vince Vaughn, fanático pelo desenho, pôs-se à disposição para reescrevera a trama – e interpretar o Corredor X.

Com os Wachowski, as filmagens começaram em fevereiro de 2007, em estúdios na Alemanha. O longa foi registrado em tela verde por causa dos efeitos especiais inseridos na pós-produção, que deram o tom hiperrealista do filme. Foi a primeira vez que os diretores usaram uma câmera digital de alta definição que recebeu modificações – para deixar objetos em primeiro plano e o cenário de fundo, ambos em foco. Isso garantiu uma aparência de animação ao filme.

Ao volante do Mach 5, porém, Hirsch teve um trabalho nem um pouco virtual diante da câmera. _ Colocaram um grande braço mecânico preso no meu assento que era controlado por técnico através de um joystick. Parecia que estava num touro mecânico movido a anabolizantes.

Para o ator, o esforço valeu a pena, pela chance de viver um personagem que o acompanhou pela infância através das reprises na TV. – A música do desenho gruda na cabeça. Toda vez que colocava no som do meu carro me dava um vontade louca de correr pelas ruas. Tive que evitar isso, para não bater em um poste. Essa sensação está garantida para o público, já que os Wachowski adquiriram os direitos em usar os efeitos sonoros e a música tema do seriado. Se o filme vai conseguir chegar bem colocado na árdua corrida das bilheterias, só o tempo dirá. Mas vale lembrar que Speed Racer foi concebido para ser um filme só, sem continuações ou trilogias.

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1 COMENTÁRIO

  1. eduardo pereira diz:
    domingo, 8 de junho de 2008 às 3:05 am

    eu adorei esse filme, achei muito legal

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