Piratas do Caribe - O Baú da Morte | Crítica
| sábado, 7 de junho de 2008 | Mário "Fanaticc" Abbade |
Na segunda parte de “Piratas do Caribe” fica claro que o maior investimento foi nos efeitos especiais e não na história.
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A Disney não levava muita fé em Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra. A produção não era inspirada na literatura, mas sim no brinquedo existente nos parques da empresa. Esperava-se ganhar dinheiro, mas não o sucesso que foi. Faturou 650 milhões de dólares só nos cinemas. Para completar, o filme ainda teve indicações ao Oscar. E contrariando o pensamento dos executivos do estúdio, Johnny Depp recebeu a sua primeira para melhor ator por seu Capitão Jack Sparrow. Sua interpretação bêbada, afetada e inspirada no eterno rolling stone Keith Richards confirmou seu talento em criar personagens memoráveis para os amantes da sétima arte.
Piratas do Caribe: O Baú da Morte (Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest, 2006), segunda parte da história, começa quase que no final do primeiro. Will (Orlando Bloom) e Elizabeth (Keira Knightley) têm seu casamento interrompido por Cutler Beckett (Tom Hollander), um intrigante diretor da Companhia Britânica do Leste da Índia. Por terem ajudado na fuga de Sparrow, são condenados a prisão. A verdadeira intenção de Cutler é conseguir a mágica bússola de Sparrow. Will faz um acordo com Cutler e parte em busca do artefato. Depois da saída de Will, Elizabeth também parte para ajudar disfarçada de marinheiro num navio mercante.
Ao mesmo tempo Sparrow esta tendo seus próprios problemas. Numa certa noite ele recebe a visita de Bill Alça de Bota (Stellan Skarsgard), o presumido pai morto de Will. O amaldiçoado Alça de Bota vem lhe dar um aviso. Da mesma forma que ele trocou sua alma por uma vida de aventuras, o legendário Davy Jones (Bill Nighy) virá receber a dívida com Sparrow. No caso de Sparrow, ele trocou sua alma pelo comando do barco Pérola Negra por dez anos. Jones atravessa os oceanos com seu barco, Holandês Voador (Flying Dutchman), capturando almas com a sua amaldiçoada tripulação de homens incrustados de crustáceos. Seus tripulantes apresentam características de criaturas do mar, como o tubarão martelo e caranguejos, entre outros. Jones comanda as profundezas dos oceanos.
Todas as histórias se juntam em torno da bússola mágica de Sparrow, o único instrumento capaz de encontrar o local onde está o coração de Jones. Uma forma de Sparrow barganhar com o nefasto pirata. Ao mesmo tempo uma maneira de Cutler controlar os oceanos. Durante a busca Elizabeth encontra Norrington (Jack Davenport), seu antigo noivo. Ele também tem suas razões escusas. Na tradução “chest” pode significar peito ou caixa. Com o complemento da expressão “homem morto”, virou o tal baú da morte, onde está guardado o coração de Jones.
Quem estiver se perguntando de onde saiu Davy Jones, aqui vai uma dica: seu nome é mencionado quando Will está preso dentro do Pérola Negra no primeiro filme. Podem conferir no DVD, aproximadamente aos 102 minutos de projeção. Mesmo assim a nova trama parece forçada e os personagens passam a maior parte do tempo fugindo, sendo perseguidos e rolando montanha abaixo. Enquanto no primeiro filme tivemos pirataria, lutas de espadas, batalhas entre barcos e bebedeira cantarolada, O Baú da Morte tem monstros em CGI e bastante gritaria. Pontos positivos foram a inclusão de algumas características costumeiras de filmes com piratas: canibais, sacerdotisa de vodu, buraco negro e deslizar pela vela com uma faca.
Diretor Gore Verbinski lutou com todas as forças na tentativa de engrandecer ainda mais a franquia, mas parece ter esquecido o que tornou o filme original tão divertido. “Na Maldição do Pérola Negra” foi feito um ótimo equilíbrio entre o sobrenatural e o simples prazer de piratas serem piratas. Quando o CGI era utilizado para mostrar alguma criatura, ele foi realizado com eficiência, como uma parte e não o centro da história. No novo filme os efeitos magnânimos são o foco, deixando os personagens em segundo plano. Com essa prerrogativa, pelo menos pode-se dizer que os efeitos são sensacionais. Davy Jones, metade humano e metade lula, ficou perfeito. Jones não tem a mesma presença fílmica que o Capitão Barbosa, interpretado por Geoffrey Rush, mas Bill Nighy faz um ótimo trabalho sob as camadas grossas do CGI. Ainda nas interpretações, Johnny Depp continua fenomenal e destaque também para os divertidos personagens secundários.
Pelo menos o terço final do filme empolga com uma luta de espadas tripla entre Sparrow, Will e Norrington. O objetivo do combate é para ver quem vai ficar com a chave que abre o baú. Elementos de humor são inseridos no estilo da comédia “It’s a mad, mad world”. Ao mesmo tempo percebemos a influência de várias histórias clássicas de aventura. Notamos também um pouco de “20 mil Léguas Submarinas”, um outro filme da Disney baseado no livro de Jules Verne. Como o capitão Nemo, Davy Jones também toca um elaborado órgão de canos. Outra referencia é a lula gigante chamada de Kraken.
Infelizmente as influências são mais visuais do que na narrativa. A trama é insanamente complicada e bem mais fraca que o do filme original. A edição deveria ter cortado certas gorduras que dariam um ritmo mais ágil, principalmente no início quando quase nada de interessante acontece. Talvez o grande problema do filme seja ser a segunda parte de uma trilogia concebida por causa do sucesso do filme original. Depois que “descobriram” esse formato clássico (começo, meio e fim) vindo do teatro, tudo que dá dinheiro, automaticamente, se transforma em três partes. Foi assim com “Matrix”, “De Volta para o Futuro” e “O Senhor dos Anéis”, entre outros. No caso dos filmes adaptados da obra de Tolkien, pelo menos os livros originais foram concebidos dessa forma. Até “Kill Bill” foi dividido em dois para se faturar mais não só nas bilheterias, mas como também no rentável mercado do DVD.
Normalmente os “filmes do meio” não conseguem atingir a mesma qualidade do filme original. Os roteiristas ficam tão preocupados em criar ganchos entre o primeiro e terceiro capítulo que não despendem a mesma atenção com a trama do segundo filme. O único caso que isso aconteceu tanto para o público e a crítica especializada foi na primeira trilogia de “Star Wars”. O “Império Contra-Ataca” é tido como o melhor filme da franquia criada por George Lucas. Agora é torcer para que a terceira parte de Piratas no Caribe tenha a mesma qualidade do “O Retorno do Rei”, produção que concluiu a trilogia do “Senhor dos Anéis”. Jack Sparrow merece.
Tags: Crítica, Piratas do Caribe




sábado, 7 de junho de 2008 às 3:10 am
cara esse foi o filme do ano