O Incrível Hulk | O Incrível Renegado
ou uma breve análise sobre mim e você| sexta-feira, 13 de junho de 2008 | Marcelo Salgado |


Você já sentiu uma vontade avassaladora, mas reprimida, de quebrar a cara daquele valentão da sua escola, quando você era um pré-adolescente espinhento e ridicularizado? Se a resposta é sim, bem vindo ao Clube do Hulk, amigão! Se a resposta é não, vá dançar ballet.
Mas qual a real ligação entre a nossa covardia nerd e o Gigante Esmeralda? Na verdade, a conexão é direta e total.
O incrível Hulk é a materialização da faceta mais irracional e cheia de ódio de um cientista, Dr. Robert Bruce Banner. Ele é reprimido pela sociedade e mantém aprisionado dentro de si um outro “eu”, machucado por uma infância traumática e por uma relação mal resolvida com o pai. A explosão da Bomba G e a irradiação de raios Gama fizeram com que o amargo, mas pacato cientista não pudesse mais controlar todo esse emaranhado de emoções latentes e, quando tomado pela raiva, seu corpo sofre a mutação instantânea e ele se transforma no Golias verde.
Claramente baseado no mega-boga clássico literário (e depois mega-boga clássico do cinema) Dr. Jekyll e Mr. Hyde, de Robert Louis Stevenson, o personagem verde/cinza de Jack Kirby e Stan Lee é um prato cheio para uma análise psicológica.
No clássico da literatura de terror, Dr. Jekyll é um cientista que defende a idéia de que bem e mal coexistem dentro de cada pessoa. Ele é ridicularizado no meio em que circula e, para provar sua tese sem colocar em risco nenhuma outra pessoa, ingere um preparado químico que desenvolveu para isso. O que ele não prevê é que perderia o controle sobre a criatura em que esporadicamente se transformava, sua parte má, a quem ele chamou de Mr. Hyde (quem viu os filmes ou leu o livro sabe que esse é “o” spoiler).
Fora as outras alegorias inseridas aí (como a da “droga libertadora”, por exemplo), está também presente a alegoria da vazão do desejo passional e reprimido.
Convivem dentro nós duas forças contrárias: a do instinto e a da civilidade. Via de regra, limitamos o instinto em razão de um acordo social não declarado ou do temor racional de uma reação dolorosa. Ou seja, esforçamo-nos o tempo todo para ser Bruce Banner, o bem, quando o natural seria liberarmos o nosso Hulk, o mal. O mesmo com Dr. Jekyll, o médico civilizado, e Mr. Hyde, o monstro incontrolável. O bem e o mal, o médico e o monstro, são dicotomias tão enraizadas que se transferem para o plano físico. A parte racional e socialmente aceitável é humana, bem vestida e intelectual. A parte instintiva, natural, é retratada com traços animalescos, sem parte da vestimenta, com uma pele verde e
uma força descomunal. O desafiador em Hulk é exatamente isso. A parte animal, liberada para a destruição irracional, é justamente a heróica. É transformado em Hulk que Bruce consegue ajudar os outros, mas nem sempre é compreendido e acaba sendo renegado. Esse é o drama do personagem, o que talvez tenha até contribuído para que ele fosse sempre um coadjuvante de luxo da Marvel e o filme de 2003 não tenha tido tanta visibilidade quanto a franquia do Aranha.
Mas chega de profundidades. Aliás, talvez tenha sido esse o erro do diretor Ang Lee e do Hulk (2003) de Eric Bana: ser profundo demais, lírico demais. Tudo isso faz parte do Hulk, claro, mas deve servir apenas como alicerce da formação do personagem e parar por aí, sobretudo se o objetivo é criar um entretenimento hollywoodiano dos bons.
O Incrível Hulk que conhecemos é um renegado que esmaga o que estiver pela frente, sejam carros, helicópteros, tanques ou até placas tectônicas! Um roteiro dinâmico e o ótimo Edward Norton devem garantir algo de bom. Então jogue pela janela suas expectativas, pegue a pipoca e o refrigerante, nerd, que aí vem um novo Esmeralda!
Quem dera eu desse mais atenção ao Hulk quando era moleque (eu só lia o Cabeça de Teia)… Talvez eu tivesse entendido que dar um tapa ensurdecedor na orelha do valentão da escola não seria um ato animalesco, irracional, e sim um ato heróico e glorioso. Se bem que a conseqüência seria dolorosa e sem absolutamente nenhum fator de cura… Ai!
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sexta-feira, 13 de junho de 2008 às 12:17 pm
O melhor tapão é aquele dado depois de um bocado de filosofia sobre o assunto.
sexta-feira, 13 de junho de 2008 às 7:52 pm
O filme é espetacular mesmo, eu só estou com uma dúvida:alguém reparaou que no primeiro trailer do filme que foi divulgado, é exibida um dialogo de banner, com aquele psiquiatra que era namorado de betty?no filme essa cena não foi exibida.e ainda tem a cena das montanhas de neve, que também não foi exibida.
sexta-feira, 13 de junho de 2008 às 6:46 pm
mega-boga clássico do cinema: PELO AMOR DE DEUS!! ME AJUDEM!!! Alguém sabe o nome deste filme? Uma vez, assistindo os filmes que só aparecem na madrugada de domingo da emissora que é dona do Acre, vi um filme do Dr. Jeckyll que ficou na minha cabeça por mais tempo que Vanila Sky e Eternal Sunshine, mas não lembro o nome dele! Procurei no iMDB por meses, e nunca vi uma imagem de filmes do médico e do monstro que pincelassem as cenas que eu vi. Conto com algum irmão nerd para me ajudar com isso. Abraços!
Detalhe que só vi neste filme (e nenhum outro) sobre o Médico e o Monstro: não há transformação física. O Dr. Jeckyll faz experiências com papoula e o Hyde é praticamente um Hannibal (a cena em que o Hyde volta a ser Jeckyll depois de esquartejar o menino, e quase vomita em cima do corpo, foi brilhante).
sexta-feira, 13 de junho de 2008 às 5:58 am
Esqueçam galera. Já achei: http://www.imdb.com/title/tt0340083/
Se você leu o livro, você gosta. Se só assistiu os filmes clássicos e é exigente em relação a cinema, vão achar uma merda foda.
=(
sexta-feira, 13 de junho de 2008 às 1:27 pm
e digo mais, sabe aqueles momentos de raiva em que voçê apronta todas, e mais tarde voçê diz “aquele não era eu”, o mesmo acontece quando Banner nega que o HULK seja ele mesmo, se referindo ao golias verde na terceira pessoa “ele aprontou” ou como “o HULK aprontou” e não “eu aprontei quando estava descontrolado”. Sua Psique termina criando outra personalidade para quando ele esta naquele estado induzido pela raiva e amplificado pelo Gama, pois este não condiz com sua personalidade original ( ou principal ) que é pacata e introspectiva.
sexta-feira, 13 de junho de 2008 às 4:55 pm
uau.filosofia nerd pura.
sexta-feira, 13 de junho de 2008 às 11:03 am
…eu buiu gostaria que os filmes do incrivel rulk voltasem a ser asistidos pelo povo do rio grando do sul