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Motoqueiro Fantasma | Crítica


sábado, 7 de junho de 2008 Mário "Fanaticc" Abbade

Motoqueiro Fantasma é a primeira adaptação de um super-herói dos quadrinhos a estrear em 2007. Em três dias de exibição o filme faturou 45 milhões de dólares nos Estados Unidos. Um ótimo início de ano para este estilo de filme. Os números impressionam ainda mais quando se leva em consideração que o personagem não é conhecido do público em geral, além de não ter uma popularidade do Homem-Aranha ou X-Men, outros heróis da Marvel Comics. A produção também marca a maior abertura de um filme estrelado por Nicolas Cage, ao bater os US$ 35,1 milhões arrecadados nos três primeiros dias de exibição de “A Lenda do Tesouro Perdido”, em 2004.

Por sinal Cage, fã de carteirinha de quadrinhos, já estava há muito tempo tentando interpretar nas telas um super-herói. Depois que o projeto de vestir a capa do Super-Homem com diretor Tim Burton no comando naufragou, ele se agarrou com unhas e dentes ao Motoqueiro Fantasma. Um herói muito mais próximo dos personagens sofridos e excêntricos que o astro costuma vivenciar na telona. Cage fez várias sugestões no roteiro e incorporou vários trejeitos do Elvis Presley da época da roupa de couro, em 1968.

Ele ainda adicionou extravagâncias como comer delicados (aquele confeito tipo jujuba) em uma taça de Martini e ser um adorador da música “Superstar” dos Carpenters. Essa foi a maneira de suavizar um personagem criado nos anos 70, período em que as drogas pesadas e os hippies simbolizavam a contracultura, e justamente para esse nicho que o Motoqueiro Fantasma foi criado. Seu objetivo era agradar essa geração rebelde que curtia uma poderosa Harley Davidson, Jack Daniels e não estava nem ai para o típico herói de malha.

O projeto escrito e dirigido por Mark Steven Johnson abandonou esse segmento e ampliou os horizontes, já que aqui o objetivo é faturar. Johnson também é um tiete do universo dos super-heróis e já tinha no currículo o mediano “O Demolidor”, que se não foi uma unanimidade para os críticos e os fãs, pelo menos foi premiado com uma ótima bilheteria. Johnson segue aqui a mesma fórmula que tem dado certo nesse gênero: uma aventura infanto-juvenil despretensiosa recheada de humor e efeitos especiais. Admiradores do Motoqueiro Fantasma dos quadrinhos não ficarão muito satisfeitos.

Os menos exigentes serão recompensados com diversas características das diferentes encarnações do personagem. Nem mesmo a sua primeira aparição em 1967 foi esquecida. Nessa época ele era Carter Slade, um Texas Ranger do velho oeste que surgia montado em seu cavalo demoníaco. Essa homenagem foi concebida através do personagem de mesmo nome interpretado pelo veterano ator Sam Elliott. No filme ele é uma espécie de mentor de Johnny Blaze, alter ego do Motoqueiro que é interpretado por Nicolas Cage. Vale dizer que o Blaze do filme também ganhou peculiaridades de Daniel Ketch, a terceira encarnação do Motoqueiro nos quadrinhos. Isso não é novidade, já que Mark Steven Johnson fez o mesmo em “O Demolidor”. Infelizmente, ele costuma colocar o maior número de mudanças e passagens sofridas pelo herói em questão ao longo dos anos em um único roteiro, mesmo que isso provoque uma salada de situações.

Pelo menos Mark Steven Johnson não fez mudanças radicais na origem do herói. Na trama Johnny Blaze colabora com seu pai em um show de dublês com motocicletas bem no estilo que o lendário motoqueiro Evel Knievel fazia nos anos 70. Ao descobrir que seu pai tem um câncer terminal, resolve fazer um pacto com Mefisto (Peter Fonda memorável) para salvá-lo. Como o capeta não dá ponto sem nó, Blaze acaba sendo ludibriado. Mefisto lhe diz que um dia virá cobrar essa dívida, e que ele precisa abandonar seus amigos e Roxanne (Eva Mendes), sua namorada. No futuro ele irá se transformar durante a noite em uma caveira flamejante. Seu objetivo será caçar e destruir demônios que tentam escapar do reino das trevas. Ao longo dos anos, Blaze se torna um sucesso na mídia pelas peripécias espetaculares que realiza. Desafiar os limites é uma forma de lutar contra o medo. O dia fatídico chega na forma de Blackheart (Wes Bentley), filho de Mefisto que pretende tomar o lugar de seu pai. Blackheart convoca três arcanjos caídos do céu para ajudá-lo em seu plano. Ao mesmo tempo Roxanne reaparece na vida de Blaze.

O roteiro tem diversos furos e as motivações dos personagens não são críveis. Faltou desenvolvimento e em certos momentos parece um telefilme piloto para um futuro seriado. Coisas como o Mefisto não ter muito comando sobre os seus motoqueiros e o plano de Blackheart, que invés de transformá-lo em uma criatura extremamente poderosa, acaba sendo a sua ruína.

Os efeitos especiais também não receberam os devidos cuidados. Em alguns momentos são bastante artificiais. O ponto alto é a presença de Peter Fonda e Sam Elliott, ícones da geração easy rider. Nesse quesito, destaque para Fonda que foi o símbolo da geração motoqueira dos anos 60, em filmes como “The Wild Angels” (1966) e “Sem Destino” (Easy Rider, 1969). Para se curtir o filme é necessário deixar o cinismo na porta e embarcar na viagem. Até porque um herói que é uma caveira flamejante a serviço do diabo, pilotando uma motocicleta faiscante, não pode ser levado a sério.

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2 COMENTÁRIOS

  1. evilmirror diz:
    sábado, 7 de junho de 2008 às 9:51 pm

    PRIMEIRO!ah motoqueiro fantasma foi legal vcs q sao enjoados.

  2. kaz diz:
    sábado, 7 de junho de 2008 às 10:22 am

    “Até porque um herói que é uma caveira flamejante a serviço do diabo, pilotando uma motocicleta faiscante, não pode ser levado a sério.”

    Ridículo o comentário final. Premissa temática fantasiosa não é desculpa para fazer filme rui. Motoqueiro Fantasma é um LIXO TOTAL. Com ou sem cinismo.
    Mas nerds-adolescentes-burros vão adorar.

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