Encarnação do Demônio | Crítica
O mestre do terror tupiniquim está de volta!| sexta-feira, 8 de agosto de 2008 | Mário "Fanaticc" Abbade |


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Para deleite dos fãs, Encarnação do Demônio (2008) encerra, após quarenta anos, a trilogia iniciada em 1964 com A meia-noite levarei sua alma, que ainda gerou Esta noite encarnarei no teu cadáver em 1967. Apesar da distancia temporal, cineasta José Mojica Marins, criador e interprete do protagonista Zé do Caixão nos três filmes, conseguiu modernizar a narrativa sem perder a mítica do personagem.
A trama atualiza a história para os dias atuais. Após 30 anos preso, Zé do Caixão (José Mojica Marins) é finalmente libertado. Novamente em contato com as ruas, o sádico coveiro está decidido a cumprir a mesma meta que o levou preso: encontrar a mulher que possa lhe gerar um filho perfeito. Em seu caminho pela cidade de São Paulo, deixa um rastro de horror, enfrentando leis não-naturais e crendices populares.
Mojica utiliza a técnica do flashback para construir uma ponte de ligação com os dois filmes anteriores. Ao mesmo tempo, esse recurso serve para familiarizar o espectador que não conhece sua obra. São noventa minutos de sangue, vísceras e escatologia, influenciados por uma linguagem cinematográfica nostálgica que utiliza a presença de Zé do Caixão para transportar o espectador para um universo de violência extrema. Uma mistura de terror e erotismo aguçados pelos efeitos especiais de André Kapel. Todos esses maneirismos visuais não são gratuitos. Cada seqüência de violência acerbada é justificada objetivamente através de uma coerência narrativa com a psicologia e obsessão do protagonista. Fica claro que os meios justificam o fim.
Em certos momentos, o exagero provoca um humor involuntário. Mesmo isso é proposital. Inteligentemente, essas ocasiões têm como missão relaxar a tensão. Com essa metodologia, Mojica visa minimizar cenas muito fortes. O riso é uma poderosa ferramenta de contraste.
As interpretações excessivas do elenco corroboram essa premissa. Em uma primeira analise, o público tende a achar tudo demasiadamente exagerado, mas esse tom farsesco é essencial para o universo caótico criado por Mojica. Profissionais como Jece Valadão e Rui Rezende emprestam suas típicas assinaturas interpretativas para acrescentar aos seus papéis, facetas já conhecidas através de outros personagens célebres criados anteriormente. Ao lado desses veteranos, um time de beldades de causar inveja as esquálidas modelos do mundo fashion.
Para justificar todas essas escolhas, Mojica abusa dos tons escuros e carregados, mesmo nas cores vivas como o vermelho. A fotografia de José Roberto Eliezer aliado a direção de arte de Cássio Amarante possuem requintes gregorianos que nos remete ao cinema dos anos 70 do mestre do giallo Dario Argento. Esse painel de matizes sombrias transformam a cidade de São Paulo em uma espécie de terra paralela, em que o real ganha uma camada de fantasia nebulosa oriunda de uma dimensão bestial e funesta. No meio desse cenário lúgubre, mensagens subliminares surgem disfarçadas de forma que a cadencia da trama não perca o seu ritmo avassalador. A edição de Paulo Sacramento pontua esse compasso junto com a ótima trilha sonora composta pela dupla André Abujamra e Marcio Nigro.
Interessante que todo esse apuro técnico acabou sendo obra do destino. A idéia era finalizar a história de Zé do Caixão ainda nos anos 60, mas perseguido pela ditadura, Mojica não conseguiu viabilizar o projeto. Foram décadas tentando arranjar uma verba que pudesse levar o capítulo final da saga da figura dramática mais famosa do terror tupiniquim. A solução começou a surgir, quando Mojica foi descoberto pelas cabeças pensantes lá de fora. Seu personagem ganhou o nome de Coffin Joe e foi imortalizado por milhares de fãs espalhados pelos quatro cantos do mundo. Ele passou a ser convidado para festivais de filmes fantásticos e chamou a atenção dos novos cineastas do terror como Rob Zombie (Casa dos 1000 Corpos) e Eli Roth (O Albergue), entre outros.
Com toda essa fama, Mojica acabou sendo redescoberto no Brasil. Com a aprovação do 1ºmundo, o 3ºmundo passou a vê-lo com outros olhos. Se o Zé do Caixão era um pastiche nas décadas de 80 e 90, no novo milênio passou a ser considerado cult pelos intelectuais e estudantes de cinema brasileiros. Uma pena que essa conclusão tenha partido de fora para dentro. Mas toda essa demora acabou criando a oportunidade de contar com novos recursos tecnológicos e uma verba decente. Nunca Mojica teve um orçamento desse porte. Foram 1,8 milhões de reais onde o diretor pode por em prática toda sua habilidade de artesão cinematográfico. Resta saber se o público responderá a altura nas bilheterias.
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Tags: Crítica, Terror, Zé do Caixão






sexta-feira, 8 de agosto de 2008 às 7:28 pm
esse zé do caixão é muito foda, do moral demais pra ele, vo ir com certeza no cinema, o problema é se vai passar…
sexta-feira, 8 de agosto de 2008 às 8:00 pm
Pô, ia assistir hoje mas como a faixa etária eh 18+ vo esperar sair nos cinemas menores… Pelo que eu vi esse filme é o mais profissional dentre os filmes do Mojica.
Abs.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008 às 12:13 am
eu tenho o mesmo problema que o felippe!!
mano que raiva essa m#rda de censura!!!
sexta-feira, 8 de agosto de 2008 às 12:32 pm
Pior é que censura só funciona UM POUCO com filmes pornô.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008 às 1:12 am
O Trailer já mostra como é o filme… Pessoas sensíveis não vão ao cinema!!!
sexta-feira, 8 de agosto de 2008 às 1:18 am
Esse filme eu tenho planos de ir ver no cinema.
Só espero que não saia de cartaz em uma semana, como é de praxe com filmes menores…
sexta-feira, 8 de agosto de 2008 às 11:22 am
eu ia no fds, mas fikei pobre… oO
vou nesse fds agora, com certeza!!!
Zé rules!! \o/
sexta-feira, 8 de agosto de 2008 às 10:10 pm
pretendo ver esse filme no cinema aqui de porto alegre mas eu ate comprei os filmes anteriores do box de 6 dvds pretendo conhecer a maior lenda do cinema JOSE MOJICA MARINS no seus melhores filmes
sexta-feira, 8 de agosto de 2008 às 11:05 am
Ansiosa, desde que soube do filme.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008 às 11:15 am
Vai ter a cena das baratas? hehehe
sexta-feira, 8 de agosto de 2008 às 9:25 pm
Viva Mojica!!!
sexta-feira, 8 de agosto de 2008 às 3:27 pm
Po! Entrei no site do filme e tomei o maior susto! heauheuaehuae Esse Zé do Caixão é demais… Até no site ele teve o cuidado de surpreender.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008 às 12:36 am
Espero q de tudo certo com o filme e bilheteria, mas definitivamente parece ser um filme mto violento que merece a sensura 18 anos.
Ao contrario do primeiro SAW por exemplo que possui cenas tensas, mas mão mostra nada, este filme expõe muito mais.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008 às 11:23 pm
O clima de zoação da equipe é muito bom. E curti tb no making a técnica dos efeitos especiais, no filme ficou muito convincente.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008 às 9:08 pm
Iper massa vou caçar os anteriores pra alugar depois.
Realmente é um filme que ao que tudo indica foi muito bem produzido. é o Cinema nacional mostrando que tem muitas capacidades.
é o tipo do Filme que eu vou gostar de ver a beira meia noite com um saco de pipocas do lado =D
é o tipo do Filme que compensa ir no Cinema ver.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008 às 10:10 am
É o pior filme do mundo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!