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A Fantástica Fábrica de Chocolate | Os excêntricos invadiram a fábrica


sábado, 7 de junho de 2008 Mário "Fanaticc" Abbade

Diretor Tim Burton e ator Johnny Depp criam mais um momento mágico em “A Fantástica Fábrica de Chocolate”

Como refilmar um clássico infantil que encanta platéias até hoje? Bem, diretor Tim Burton parece ter encontrado o chocolate necessário para mover as engrenagens da fábrica. Ou melhor de sua fábrica, pois acertadamente o excêntrico diretor não fez concessões. Foi fiel ao livro, mas não deixou de ser fiel ao seu estilo. Com isso o espectador é o grande vencedor. A Fantástica Fábrica de Chocolate ( Charlie and the Chocolate Factory , 2005) de Burton é um filmaço pipoca que irá agradar até aos diabéticos.

A tarefa de Burton era difícil. O filme original de 1971 estrelado pelo ótimo Gene Wilder ainda faz parte do inconsciente coletivo do público. Inclusive, tem gente até hoje viajando com aquelas imagens lisérgicas a base de outros tipos de “açúcar”. Na época a produção do diretor Mel Stuart ainda aproveitou-se da estética camp – aquela do seriado do Batman dos anos 60 – e do movimento hippie, para retratar um mundo colorido e viajante. As crianças entraram na onda e os adultos embarcaram na turnê.

A grande sacada para que Tim Burton pudesse superar isso foi ser o mais fiel possível ao livro, já que a versão de 1971 alterou algumas coisas (Ex: o nome de Charlie foi substituído pelo de Willy Wonka, dono da fábrica, pois esse personagem interpretado por Gene Wilder ajudaria a divulgar o filme). Um outro passo importante foi encaixar a história do livro de Roald Dahl no seu estilo. Ele já tinha adaptado em 1996, a animação James e o Pêssego Gigante , baseado em outro livro de Dahl. Burton manteve a mensagem da A Fantástica Fábrica de Chocolate , sem abdicar dos seus devaneios sombrios abstratos. Parece que ele aprendeu a lição com as macacadas que cometeu no Planeta dos Macacos . Uma das poucas produções do desgrenhado diretor (esse cara já visitou um cabeleireiro?) que não tem a sua assinatura autoral.

Apostando suas fichas nesse jogo de cartas marcadas, Burton criou uma fábula bem ao seu jeito, em que a cidade e a própria fábrica parecem ter saídos de uma parábola gótica. A paisagem é acinzentada contrastando com a neve branca. A casa onde mora Charlie – o nosso pobre protagonista – lembra aqueles casebres dos desenhos animados. Até torta e faltando telhas, ela está. Todo esse visual se opõe para o mundo colorido de dentro da fábrica. Mesmo assim percebemos que os traços cinza estão presentes na figura de Willy Wonka . Mas isso é um capítulo a parte.

Para que toda essa estética de Burton funcionasse, ele precisava de um ator que encarnasse esse Willy Wonka colorido por fora, mas nublado por dentro. A escolha foi seu parceiro de excentricidades: o talentoso Johnny Depp . Descrever a qualidade das atuações desse outro maluco de carteirinha já virou mesmice. Escolha você mesmo o seu preferido. Jack Sparrow , Hunter S. Thompson , Ichabod Crane , Edward Scissorhands , Ed Wood , só para citar alguns. Por sinal, os três últimos comandados por Burton. Willy Wonka se junta à galeria. Quando Depp surge de Wonka toma a tela de assalto. Seu modo de falar, andar, rir, tudo na performance de Depp hipnotiza. Nem precisa daquelas “balinhas mágicas” dos anos 70 para ficar entorpecido. Alguns viram na construção do Wonka de Depp referências com a figura de um outro louco: o astro em decadência Michael Jackson .

Willy Wonka vive recluso em sua fábrica. Permite que crianças entrem em seu mundo mágico. Está à procura de uma criança para ser seu herdeiro. Afirma que a criança terá que abandonar sua família para viver em seu mundo de imaginação. Alguém lembra do Neverland (mistura de parque de diversões, mansão e câmara de horrores para alguns pimpolhos) de Michael Jackson, como também das visitas constantes de crianças para participar de seus joguinhos esquisitos? Tudo bem que boa parte disso está no livro. Mas rir e falar como Jackson? E para completar aquela maquiagem embranquecendo Depp. Quando perguntado sobre isso, Depp deu uma risadinha de pilantra (aquela que o Bruce Willis faz em todo filme) e disse: “Não foi a intenção… deve ter sido o inconsciente.” É impossível não ver Michael Jackson no Willy Wonka de Johnny Depp.

Depois de um Johnny Depp inspirado, Tim Burton ainda teve a felicidade de contar com um talento mirim de Freddie Highmore no papel do garoto boa praça Charlie. Highmore é uma versão mais contida do Haley Joel Osment . O garoto já tinha arrebentado Em Busca da Terra do Nunca que tinha Depp também no elenco. Outro que merece destaque é o ator David Kelly . A versão irlandesa do Costinha . Além de lembrar fisicamente, Kelly tem uma cara que já é a própria piada. Burton ainda escalou a sua atual esposa e também excêntrica na vida real, Helena Bonham Carter , como a mãe de Charlie.

O legendário ator Christopher Lee faz o papel do pai de Willy, o Dr. Wonka. Sempre Burton arruma uma forma de colocar os atores consagrados da Hammer Films , produtora inglesa de filmes de horror, que influencia até hoje no estilo. Foi assim em várias de suas produções. Em Edward Mãos de Tesoura teve a participação do fabuloso Vincent Price , sua última atuação antes de falecer. Na A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça ele escalou Christopher Lee e Michael Gough (o Alfred dos filmes do Batman, antes do Begins). A Hammer para Burton é como os filmes de ficção científica dos anos 50 para Spielberg e George Lucas.

Tim Burton continuou inspirado no seu elenco. As outras crianças, como também seus progenitores funcionam na trama. Agora só restava arrumar alguma tribo de pigmeus para interpretar os Oompa-Loompas , povo acolhido por Willy Wonka em sua fábrica. Em troca os baixinhos tocavam a produção dos chocolates e doces em geral. Como era quase impossível ir à África ou na Amazônia (alguns cineastas italianos de horror acreditam que eles existam por lá) procurar por pigmeus e ensiná-los o mundo mágico do cinema, a solução veio em chamar a ator Deep Roy , que já tinha colaborado com Burton em dois filmes (Peixe Grande e Planeta dos Macacos). Roy teve a tarefa de interpretar a comunidade inteira de Oompa-Loompas. Apesar de reproduzido em computador, Roy fez várias interpretações para cada Oompa-Loompa, seu salário não sofreu do mesmo milagre da multiplicação.

Completando a magia, Burton convidou o músico e compositor Danny Elfman para compor a trilha sonora e as melodias para as letras cantadas pelos Oompa-Loompas criadas por Roald Dahl. Elfman adequou estilisticamente as canções a cada criança – Augustus, Violet, Veruca e Mike - , cujo mau comportamento acarreta conseqüências alarmantes e explicita a moral da história. Nessas cenas em particular, Burton e Elfman esculhambam com vários estilos musicais. Esse tom jocoso não é uma característica só dos números musicais, mas de todo o filme. Referências e mais referências surgem a cada instante na telona. Seja na pele de Deep Roy ou com cenas de filmes clássicos, como 2001: Uma Odisséia no Espaço do mitológico Stanley Kubrick.

Para felicidade do público e de seus fãs, diretor Tim Burton acertou a mão mais uma vez. Acompanhado de seus célebres excêntricos colaboradores invadiu a lendária fábrica. Dizem que tomar açúcar em quantidade acaba dando o maior barato. O diretor David Lynch , outro maluco de plantão, é adepto dessa técnica. Burton não precisou disso para deixar o espectador em estado de euforia. Bastou ele liberar seu mundo de fábulas góticas ricas de personagens excêntricos, para alcançar essa viagem. E que viagem!

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3 COMENTÁRIOS

  1. Wonka girl diz:
    sábado, 7 de junho de 2008 às 9:52 pm

    melhor filme :D

    hey, amei aquela foto do willy wonka grande falando com um oompa loopa e eu não tenho ela =/

  2. ZeroleO diz:
    sábado, 7 de junho de 2008 às 10:06 pm

    Chega a ser angustiante para mim ter que decidir entre o original e a versão do burton.

    Não da… =(

  3. betsy diz:
    sábado, 7 de junho de 2008 às 7:16 pm

    puxa!eu tambem prefiro mil vezs o original com o ator Gene Wilde ele embalava os meus sonhos de infacia que foi os melhores tempos de minha vida,e que ainda falo algumas coisas de quando eu era pequena tais como o amiguinho imaginario que persistiu ate os meus 10 anos chamado bleco-bleco!!!

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