A Espiã | Crítica
| domingo, 8 de junho de 2008 | Mário "Fanaticc" Abbade |
Cineasta Paul Verhoeven faz as pazes com o talento sem perder sua tara por sexo e violência.
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Depois do sucesso nos anos 80 e 90 com filmes como “Robocop” e “Instinto Selvagem”, cineasta holandês Paul Verhoeven parecia ser uma ótima promessa em Hollywood. Com o fracasso retumbante de “Showgirls” e “O Homem sem Sombra”, o diretor caiu no ostracismo. Em A Espiã (Black Book/ Zwartboek, 2006), Verhoeven faz as pazes com o talento. Ele realiza um suspense eletrizante tendo como cenário a 2ª Guerra Mundial. Segundo o próprio diretor, o roteiro vem sendo escrito nos últimos vinte anos. Pelo resultado, valeu a pena ter perdido tanto tempo em sua concepção.
A história acontece na Holanda em 1944. Rachel Stein é uma cantora judia que está se escondendo dos alemães. Uma pequena reunião com seus familiares termina em tragédia. Eles foram traídos e os nazistas assassinaram a todos. Rachel é a única sobrevivente. Revoltada, se junta a resistência holandesa, comandada pelo empresário Gerben Kuipers (Derek de Lint) e o médico Hans Akkermans (Thom Hoffman). No começo, a função de Rachel é burocrática, mas com o passar do tempo ela é escolhida para uma missão vital e suicida.
Ela precisa seduzir Ludiwg Müntze (Sebastian Koch), um oficial da SS que está atraído por ela. A sedução não foi difícil, o problema é que Rachel não contava em se apaixonar por Ludiwg. Ao mesmo tempo, ele descobre a verdadeira identidade de Rachel e arrisca sua carreira na tentativa de proteger sua amada. Com a vitória dos aliados, Rachel e Ludiwg descobrem que o final da guerra não representa o fim das traições e assassinatos.
A trama é um prato cheio para Verhoeven destilar seu estilo repleto de sexo, violência e morte, demonstrando que essa combinação é uma das molas que movem o mundo. Esse conceito é corroborado pelos personagens extremamente reais. Cada um deles possui características heróicas e vilanescas. O destaque vai para Carice van Houten, no papel de Rachel, provando a habilidade de Verhoeven no desenvolvimento de protagonistas femininas.
O cineasta também não abandona sua paixão pela controvérsia. Dessa vez a polêmica centra em um romance entre uma judia e um nazista, que é retratado de forma humana. Além disso, uma cena erótica envolvendo tintura nos pelos pubianos de van Houten, que motivou diversos debates na Europa. É como na antiga propaganda do Banco Bamerindus: “O tempo passa, o tempo voa, e as taras de Verhoeven continuam numa boa”.
Tags: Crítica, Espiã, Espionagem, Segunda Guerra Mundial




