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10.000 BC | Crítica


domingo, 8 de junho de 2008 Mário "Fanaticc" Abbade

Com o fim do inverno americano, o cinema de neurônios começa a dar lugar aos filmes de adrenalina. A senha parece ser o Oscar. Depois da noite de gala, os estúdios começam a planejar seus futuros lançamentos ambicionando bilheterias estratosféricas. Neste ano, a Warner sai na frente com 10.000 a.C (10.000 B.C., 2008), um típico filme de verão lançado em março (primavera nos EUA). Uma estratégia que visa aplacar um público ávido por diversão, após a ressaca do Oscar.

O longa é dirigido por Roland Emmerich, especialista em entretenimento escapista como “Independence Day” e “O Dia Depois de Amanhã”, produções que faturaram US$ 816 e 542 milhões ao redor do planeta. Filmes que investem pesado nos efeitos especiais para contar histórias fantásticas repletas de aventura.

Cercado por grandes expectativas, a trama de 10.000 a.C. foi definida pelo próprio Emmerich como “um conto épico que apresenta três estágios de desenvolvimento do homem primitivo, através do olhar de um jovem caçador de 21 anos, que precisa caçar um mamute para sobreviver”.

Há 12.007 anos atrás, o jovem D’Leh (Steven Strait) vivia em uma tribo primitiva e era apaixonado pela princesa Evolet (Camilla Belle, de “Quando um Estranho Chama”), bem acima de sua escala social. Quando os caçadores da tribo são escravizados e a princesa é seqüestrada, cabe ao rapaz entrar em ação para que seu povo não seja extinto. D’Leh lidera um exército através de salvas e um vasto deserto, lutando contra tigres de dentes de sabre e predadores pré-históricos, para encontrar uma civilização perdida entre enormes pirâmides.

O roteiro foi rascunhado por Emmerich e o compositor Harald Kloser (que também assina a trilha sonora) logo após o término de “O Dia Depois de Amanhã” e pretende mostrar como se desenvolveu a humanidade através do contato entre povos de hábitos e culturas diferentes. Emmerich examina a tese: “A evolução aconteceu por meio do encontro de civilizações díspares. Cada povo aprendeu algo do outro. E quem não aceitou as mudanças pereceu. Para revigorar esse caráter histórico, escolhi atores desconhecidos. Nunca convenceria com um Jake Gyllenhaal de protagonista. Isso distrairia o público. O rosto mais conhecido é de Camilla, mas que a grande maioria não sabe quem é”.

Mas não espere um filme apuradamente histórico. A proposta de 10.000 a.C. é entreter. Isso fica evidente na maneira em que o cineasta alemão escolheu o nome de seu protagonista. D’leh, ao contrário, escreve-se Held, que significa herói em alemão. Uma escolha mais do que apropriada pelas seqüências de tirar o fôlego, protagonizadas pelo jovem caçador. São cenas grandiosas em que D’leh precisa enfrentar não só criaturas pré-históricas, mas também outros povos.

As filmagens aconteceram na África do Sul, Namíbia, Nova Zelândia e Tailândia. Na pré-produção, foram gastos 18 meses em pesquisas e efeitos CGI (computação) com o objetivo de recriar o ambiente pré-histórico.

Infelizmente, o roteiro não ganha a mesma atenção. Muitas das idéias são pouco desenvolvidas e soam forçadas. Isso gera diversas lacunas na narrativa que são preenchidas de forma inacreditável. Esse último trabalho ainda tem o agravante de possuir um argumento parecido com o ótimo Apocalipto do diretor Mel Gibson, já que ambos acontecem num passado obscuro, com atores desconhecidos e mostram diferentes estágios do desenvolvimento humano. A diferença de 10.000 a.C. é a sua proposta de divertimento. Além disso, Emmerich preferiu que os atores falassem inglês. Uma regra imprescindível, se a intenção é conquistar enormes bilheterias nos EUA.

Para que a experiência seja proveitosa, é necessário não procurar coerência histórica na trama. Mesmo com essas falhas, a obra de Emmerich tem consistência. Todos os seus longas giram em torno do conceito do individuo se preocupando na preservação e segurança do coletivo. Um tema importante na atual conjuntura mundial.

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1 COMENTÁRIO

  1. eduardo pereira diz:
    domingo, 8 de junho de 2008 às 3:02 am

    eu gostei do filme

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