007 - Cassino Royale | Crítica
| sábado, 7 de junho de 2008 | Mário "Fanaticc" Abbade |
James Bond Begins.
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Chega finalmente no Brasil a 21ª aventura do agente secreto mais famoso da telona. 007 Cassino Royale (Casino Royale, 2006) aporta nas terras tupiniquins com a aprovação do publico pelo planeta. Foi o filme de maior bilheteria da franquia. Com essa marca fica difícil questionar as escolhas dos produtores Barbara Broccoli e Michael G. Wilson. Mas muito fã continua torcendo o nariz para o filme. Isso começou logo que foi anunciado que Daniel Craig seria o sexto ator a vestir o black-tie do agente. Além de ser loiro, foi chamado de baixinho, feio, orelha de abano, sem charme e com cara de capanga. A única coisa que tinha a seu favor era de ser um bom ator. Mas Timothy Dalton tinha esse pedigree e olha o resultado. Mas agora não adianta mais espernear. Craig foi aprovado pelo grande público. E isso é o que conta no mundo dos negócios. Quer queira, quer não, outras aventuras virão com ele.
A grande dúvida é se o filme é realmente bom. Sim, é. Mas para se curtir a aventura precisa se despir de preconceitos e de tudo que você sabe sobre um filme do James Bond. Cassino Royale mostra os primórdios do agente. Como tudo começou. Já na cena inicial é apresentado como ele ganhou os 00. Número que lhe concede a licença para matar. O que vemos durante a projeção é um James Bond tosco e rústico. Um cara ainda em formação. E talvez esteja ai o pulo do gato. Se o objetivo é demonstrar como esse diamante em estado bruto vai se tornar uma jóia rara, nada melhor que um ator que possa transmitir uma idéia ambígua. Em que, ninguém nasce pronto. É necessário anos de prática para se chegar a o estado de excelência do agente. E o perfil de Craig encaixa perfeitamente nesse tipo de abordagem.
Talvez ninguém o engolisse se fosse apresentado como um novo Sean Connery, que imortalizou o personagem. Justamente o que destruiu a carreira de George Lazenby. Tentar ser uma cópia de um sucesso é o caminho mais certo para o ostracismo. Escolados, os produtores deram uma nova abordagem com Roger Moore. Um agente bastante irônico e engraçado. Acabou sendo o que mais fez filmes. Timothy Dalton tentou jogar nas onze e quebrou a cara. Ele também teve o azar de ser 007 no meio do surto da AIDS, e ainda concorrer com os brutamontes Stallone e Schwarzenegger, ídolos da época. Pierce Brosnan também foi cuidadoso. Pegou o melhor de Connery, Moore e Dalton, e imprimiu sua própria marca. Por isso era necessário encontrar um novo modelo, pois as comparações seriam inevitáveis. Os realizadores buscaram inspiração nos agentes que vem dando certo hoje em dia. Personagens como Jack Bauer e Jason Bourne (coincidência ou não, todos tem a letra j iniciando seus nomes).
Ambos são baixinhos e não tem a beleza como característica principal, mas extremamente eficazes em suas profissões. Depois do ataque de 11 de setembro ficou impossível de acreditar que um ferrabrás poderia eliminar qualquer tipo de ameaça e no máximo ter seu cabelo despenteado. O herói precisou se amoldar a uma narrativa mais realista, com erros e derrotas. O James Bond de Craig é justamente isso. Uma pessoa de rosto comum e com sentimentos, mas um verdadeiro brucutu durante uma missão. E para completar investiram em um corpo “bombado”. Essa característica herdada dos anos 80 parece não ter mais fim. Homens musculosos e mulheres anoréxicas.
Mas vale dizer que esse novo James Bond não é um homem pré-histórico anabolizado que vai se transformar em um poço de elegância. Notamos que ele usa ternos sob medida, sabe pedir um drink e como seduzir uma mulher. Mas ainda lhe falta aquelas pequenas sutilezas que foram amplamente apresentadas pelos outros atores que imortalizaram o personagem. Assim fica mais fácil aceitar que Craig não tenha cacife para concorrer com a beleza e elegância de Connery, Moore e Brosnan. Ele esta em busca desse padrão.
Vai subir cada degrau da difícil escalada. E quem sabe, consiga convencer os mais rancorosos que possa existir charme e beleza debaixo de sua couraça. Segundo as mulheres, seus reluzentes olhos azuis são extremamente interessantes. Mas nada disso não importaria se a trama não funcionasse. Para isso escolheram “Cassino Royale”, primeira aventura escrita por Ian Fleming, criador do 007. Esse livro já tinha sido adaptado em forma de paródia em 1967. E como o filme não deu certo e acabou sendo um fiasco de critica e bilheteria, possíveis comparações seriam evitadas.
Sem entregar muito, a história apresenta o início da carreira de James Bond. Sua primeira missão como 007 o leva até Le Chiffre, banqueiro dos maiores terroristas do mundo. Para detê-lo e prender o resto da rede terrorista, Bond precisa vencer Le Chiffre em um jogo de pôquer milionário no Cassino Royale. O roteiro de Neal Purvis e Robert Wade ganhou uma revisada pelo oscarizado Paul Haggis (roteirizou “Menina de Ouro” e dirigiu “Crash”). Ele aparou as arestas e deu mais consistência a história. Ao mesmo tempo o diretor Martin Campbell, responsável pelo lançamento de Brosnan em “Goldeneye”, fez o dever de casa direitinho. Locações pelo mundo, cenas espetaculares de ação e pequenas pistas sobre a futura formação de Bond foram o prato do dia. Coisas como o lendário carro Aston Martin, referências a secretária Moneypenny e ao departamento do Q (responsável pelas engenhocas), entre outras curiosidades. Tudo isso em um filme bem produzido e editado, independente de ser 007. Um típico divertimento escapista.
Com a máquina azeitada e Daniel Craig como 007, faltava o resto do elenco. Judi Dench retorna ao papel de M, chefe do MI6 - o serviço secreto britânico. Como sempre em uma performance espetacular. O dinamarquês Mads Mikkelsen faz Le Chiffre. Um ator de filmes independentes e artísticos faz sua estréia em uma superprodução. Rouba diversas cenas. Eva Green dos “Os Sonhadores”, de Bernardo Bertolucci, faz Vesper Lynd, a bond girl da vez. Destaque também para Jeffrey Wright como o Felix Leiter, agente da CIA que quase sempre aparece nos filmes de James Bond e Giancarlo Giannini como Mathis, que irá ajudar Bond na captura de Le Chiffre em Montenegro (nome dado para disfarçar Monte Carlo).
Mas mesmo com várias qualidades, os fãs mais xiitas irão reclamar bastante. Coisas como: cadê o vilão que quer conquistar o mundo com um plano mirabolante? Cadê as engenhocas usadas pelo agente? Cadê as cenas espetacularmente mentirosas protagonizadas pelo 007? E a mitológica música tema do agente, quando ele atinge seus objetivos? Sem falar nas mulheres. Muitos irão considerar uma heresia Bond não traçar uma apetitosa italiana (Caterina Murino no papel de Solange, esposa de Dimitrios) durante sua missão. Por sinal, ele só pega Vesper e ainda resolve pedir demissão da MI6 para ter um relacionamento mais sério com ela. Tenham paciência. Tudo isso é importante na trajetória do Bond que conhecemos. Uma dolorosa desilusão amorosa é um trauma vital para não se cair mais nessa. Até facilita em não sentir dor na consciência, ao precisar seduzi-las durante uma missão. E as outras coisas, com certeza irão ser desenvolvidas nos outros filmes. A cena final demonstra que não podemos ser muito apressados em nosso julgamento.
Despindo-se desse lado emotivo com o personagem, pode-se perceber algumas pequenas falhas na produção. O filme perde o ritmo em alguns momentos e a ação não mantém o equilíbrio em todas as fases da trama. A cena inicial de ação é de tirar o fôlego. Foi protagonizada por Sébastien Foucan (Mollaka), criador do Parkour (também conhecida como Free Running), que visa combater a energia negativa. Ele criou e batizou várias séries características do Parkour, agora usadas em todo o movimento que está se tornando cada vez mais conhecido e respeitado no mundo internacional dos esportes radicais. Nas cenas em que se atira de alturas altíssimas e na luta com James Bond foi substituído pelo dublê Marvin Campbell. Ben Cooke foi o dublê de Daniel Craig.
A perseguição espetacular protagonizada pelos dois criou uma expectativa em relação ao que poderia acontecer no final. Uma expectativa que não se concretiza. Não que seja ruim as outras cenas de ação, mas estabelecido um patamar, é necessário manter uma harmonia. Mas essa característica parece ter sido o calcanhar de Aquiles de vários filmes de ação desse ano. Foi assim em “Super-Homem – O Retorno” (cena do salvamento avião x cena da ilha do Luthor) e “Missão Impossível 3” (cena da escapada de Owen Davian x cena do confronto final entre Hunt e Davian).
Mas nada disso desabona o filme. Cassino Royale pode ser inserido entre os melhores filmes com o agente James Bond. Uma nova abordagem necessária para se dar fôlego a franquia. Caminho esse trilhado por Batman, Super-Homem, entre outros. Desde que “Star Wars” resolveu contar suas origens todos embarcaram nesse caminho. Até “Star Trek” vai cutucar um perigoso vespeiro ao concentrar seu próximo filme nas origens dos míticos personagens Capitão Kirk e Sr. Spock. Uma tentativa desesperadora de ressuscitar a franquia. Como a comunidade norte-americana de trekkers é imensa, é de se imaginar os protestos ameaçadores quando forem escolhidos os atores para substituírem William Shatner e Leonard Nimoy. Os protestos contra o novo James Bond irão virar brincadeira de criança, se o elenco escolhido para o novo “Star Trek” não agradar aos fãs. Pelo menos Daniel Craig escapou dessa missão.
Tags: 007, Cassino Royale, Crítica, Espionagem, James Bond




sábado, 7 de junho de 2008 às 9:43 pm
PRIMEIRO! ateh EU que odeio 007 gostei do filme.