SITALA – Parte 6

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Sitala é um conto seriado apocalíptico de Fernando “Tucano” Russell, com ilustrações de Brunner Franklin.

Perdeu o início? Confira aqui!

Javier era um cinéfilo. Tinha centenas de filmes em casa. Alguns ele revia várias e várias vezes. A energia elétrica de sua casa era basicamente para a TV e para o aparelho de card disk.

Nós fomos atrás da garota russa e, como um bom amante do cinema, ele provavelmente já sabia que toda vez que uma mulher linda entra na história, é porque alguma merda vai acontecer. Dessa vez não foi diferente.

O endereço que conseguimos era o de um prédio baixo, próximo ao mercado inglês, do outro lado do Rio Lee. Ao lado da entrada do prédio havia uma barbearia, com a luz de um lampião acesa e um homem de avental branco ouvindo música do século XX.

Eu e Javier entramos na tal barbearia e o cara imediatamente abaixou o som. Ele tinha um largo sorriso e a pele escura. Acho que era indiano, ou paquistanês, mas não vi nenhum vasinho de charas por ali.

- Querem fazer a barba? – perguntou, segurando uma navalha na mão.

Nos entreolhamos e, simultaneamente, respondemos com uma negativa agradecida. Parecia que tínhamos ensaiado, mas foi uma reação natural que qualquer pessoa sensata teria. Não estávamos nem um pouco dispostos a dar nossos pescoços à mão de um estranho com uma navalha.

- A menina russa – disse Javier, encurtando a conversa.

- Ahhh, a garota russa. Vocês são amigos dela? Ou também querem matá-la? Ela é maluca – comentou o barbeiro, em um inglês pior do que o de Javier. Linda, mas maluca!

- Não. Não somos amigos dela. Mas precisamos entrar em contato com ela. São apenas negócios.

Olhei para Javier, imaginando se ele estava dizendo aquilo para disfarçar, ou se era a verdade. O barbeiro percebeu meu olhar e aumentou o som. Era uma música estridente, cuja letra falava do medo de escuro. Até que era uma boa música.

- Eu sou o proprietário do prédio. Ela me pagou adiantado uma semana de aluguel e ficou por três dias. Daí, chegaram aqueles caras barra pesada e teve tiroteio. Ela é uma verdadeira filha da puta dos infernos! Tem uma cara de anjo, mas matou quatro caras com uma Kalashnikov. Foi embora.

Mais uma vez, os olhos de Javier brilharam.

- Os coreanos estavam atrás dela?

- Sim. Os Dragões tentaram matá-la. Mas ela deu um jeito neles e sumiu.

De novo eu fiquei pensando se “coreanos” era apenas mais uma maneira de chamar os orientais, ou se Javier sabia algo mais sobre aqueles malditos.

- Podemos entrar no prédio, senhor? Pediu Javier.

O barbeiro fez que sim com a cabeça e nos indicou o quarto em que a russa tinha ficado.

Subimos uma escada de madeira cheia de degraus soltos e fomos direto para o quarto 1408. O chão ainda estava cheio de sangue e as paredes, cravadas de tiros de armas de diversos calibres.

Javier abriu as gavetas de uma cômoda, tentando achar alguma pista que nos levasse à garota, mas não encontrou nenhum vestígio.

Fui até a janela e olhei para o céu, que já escurecia. Viajei um pouco nos meus pensamentos e voltei com um susto ao ouvir um tiro.

Olhei para trás e vi Javier com sua pistola na mão. E o barbeiro, caído no chão ensangüentado.

- O que houve?

- O barbeiro ia nos matar, garoto – disse o espanhol, apontando para uma escopeta próxima ao corpo do barbeiro.

- Eu nem ouvi ele chegar – disse assustado.

- É, eu também não. Mas o vi no espelho. Dessa vez demos sorte.

Toro foi para perto da janela onde eu estava e olhou para o céu.

- Já é tarde.

Pegamos o caminho de volta para o cais de St Patrick, mas ao invés de seguirmos para o Druida Verde, entramos na Mac Courtain. Lá ficava o Gresham Metropole Hotel, que um dia fora 3 estrelas. Era um prédio de arquitetura antiga, já bastante depredado. Muita gente se mudou para hotéis depois da varíola. Na América, eu via gente dando graças aos céus pela pandemia e abandonando seus trailers para morar em hotéis de luxo.

Na Irlanda não foi diferente, mas aquele hotel em especial tinha sido dominado pelos hooligans do Cork City Foottball Club. Era o local de concentração antes dos jogos. Se é que se pode chamar aquilo de concentração.

Os caras do Catholics tiveram mais sorte com as instalações. Como eles mandavam na parte oeste da cidade, optaram por invadir um hotel bem melhor, o Kingsley Hotel, que ficava às margens do Lee. Mas para os Celtics, o Gresham era muito melhor localizado, pois estava perto das prostitutas da Rua Devonshire.

De fato, as garotas da Devonshire eram um show à parte e a concentração não era bem o que eu esperava. Na verdade, aquilo foi inacreditável. Depois do jantar, os Celtics se reuniram para falar do jogo e escrotizar os adversários. Lógico, regados a cerveja e whisky. Graças ao senhor, porém, o jogo estava marcado para domingo a tarde. Se fosse pela manhã, com certeza seria um W.O. duplo.

Eu e Javier fomos até a Devon, trazer algumas meninas para divertir o pessoal. O espanhol foi muito bem atendido por uma prostituta holandesa que tinha olhos cinzentos e cabelos loiros. Era linda e tinha poucas marcas na pele, mas depois, descobri que, apesar de linda, ela fedia muito. Désiré era o nome dela.

As horas seguintes foram como uma orgia romana. E eu fiz tudo o que não tinha feito durante toda a minha curta existência.

De manhã, minha cabeça parecia que ia explodir e eu não tinha forças sequer para me levantar da cama. Mesmo antes de abrir os olhos, busquei uma garrafa de água no criado mudo. A garrafa foi pouca para saciar minha sede. Resolvi me levantar

O pequeno banheiro fedia à azedo por causa de um vômito que ninguém se incomodou em limpar. Talvez fosse meu, mas sei lá. Lavei meu rosto e bebi água da torneira. Eu estava em frangalhos e não via perspectivas de melhorar. Pedi a Deus que me socorresse, mas fiquei com a consciência pesada e desisti da intervenção divina.

Com os olhos já sem remelas, voltei lentamente para o quarto e vi uma cena bizarra demais para ser verdade. Na minha cama dormia uma garota anã, vestida em couro preto, segurando a ponta do dedo daquele maldito irlandês que me chamava de McColish. Ele, por sua vez estava nu aos pés da cama. Minha cabeça explodia! Que inferno teria acontecido naquele hotel?

Alguns flashes da noite anterior me vieram à mente e aquilo foi vital para decisão que eu tomei. Tive a consciência de que, se ficasse ali com aqueles irlandeses degenerados, minha vida e tudo o que eu acreditava seriam enterrados numa cova rasa.

Decidi que iria deixar a Irlanda e decidi parar de beber também. Eu sempre fui um cara solitário na América e conheci a amizade e o companheirismo na Europa, mas aquilo estava indo longe demais e eu não tinha estômago para agüentar tudo aquilo.

Desci para o saguão do hotel e no caminho fui ficando mais deprimido. Eu via Celtics jogados no chão, vomitados pelos corredores e até um que impedia a porta do elevador de fechar. Muitos ainda nem tinham dormido e continuavam a beber, mas a maioria estava apagada.

Javier estava na frente do hotel resolvendo os detalhes do traslado para o estádio. Quando me viu, levantou as sobrancelhas e sorriu.

- Ezekiel, você está um trapo, mi hermano. Que pasa? Um trem holandês passou por cima de você. Ou será que foi um trenzinho bem pequenino?

Eu também sorri, só que completamente sem vontade. Perguntei se precisava de ajuda. Aquele era um evento que mobilizava quase toda a cidade e que, apesar das regras de proibição de armas, sempre resultava em encrenca. Javier cuidava para que a confusão não fosse além de uma simples pancadaria.

Durante as partidas de futebol, reuniam-se cerca de 7 mil pessoas e, por incrível que parecesse, nunca havia sido registrado nenhum disparado. É lógico que, na ausência de armas de fogo, a criatividade irlandesa se sobressaía. Javier me contou que os maiores perigos eram as fundas improvisadas com camisetas. Falou também que já havia ficado desacordado mais de uma vez por causa de pedras atiradas em sua cabeça. Talvez por isso, não batesse muito bem da cuca.

A saída da caravana seria às 15h e alguns ônibus já estavam a postos para levar o pessoal ao estádio. Pouco a pouco foram chegando carros de torcedores que acompanhariam a comitiva. Era um festival de bandeiras e camisetas verde e brancas.

Antes de partirmos, porém, Javier viu uma moto em alta velocidade vindo pela calçada em nossa direção. O espanhol puxou uma pistola da cintura e apontou.

Montada na moto estava uma garota de capacete e uma roupa de couro branca, daquelas que antigamente eram usadas por pilotos de motovelocidade.

Javier fitou-a com os olhos e baixou a arma: era a garota russa.

- Ruslana – murmurou ele, vendo-a retirar o capacete.

- Chegou a hora, Javi. Eu tenho a cura final.

Eu fiquei tão chocado com a beleza daquela mulher, que nem tentei entender sobre o que eles estavam falando. Devia ter prestado mais atenção, mas não consegui.

Embora Javier não tivesse dito nada, estava claro que ele já a conhecia. Isso não o impediu de também ficar petrificado com o encanto da russa.

Por alguns segundos eu não ouvi o que ela dizia. Só via o suave movimento de seus cabelos castanhos caindo à frente dos olhos azuis mais brilhantes que eu já tinha encontrado. Seus lábios carnudos abriam e fechavam delicadamente, me deixando hipnotizado. Para completar, assim como Javier, ela não tinha pústulas.

O espanhol a abraçou e então eu voltei à realidade.

- Essa é Ruslana, Ezekiel. Uma amiga de muito tempo.

Eu não sabia o que dizer e apenas estiquei a mão, que ela apertou vigorosamente.

Ruslana desceu da moto, tirou a parte de cima do macacão, deixando a mostra uma camiseta do Cork City. Ela conversou com Javier em particular por alguns minutos e quando voltou, ele tinha um expressão de alívio no rosto. Imaginei que ela trazia boas notícias. Talvez uma forma de vencer os orientais, ou algo que deixasse as nossas vidas mais alegres.

- Ezekiel, você ainda quer ir para Londres? Perguntou Javier, se aproximando novamente de mim.

- Como assim? Você vai para lá?

- Essa noite partiremos. Eu e Ruslana vamos resolver um problema que está pendente há alguns anos. Um plano que não deu certo completamente e que agora pode ser concluído.

- Mas e os seus cães? E os orientais?

- Bem, quanto aos perros, eles ficarão bem com Sean. E, sobre os orientais, por enquanto só posso dizer que esse plano tem tudo a ver com esses malditos.

- Ok, Javier, eu ia mesmo falar isso para você. Hoje de manhã, quando acordei, percebi que essa vida não é para mim. Eu preciso ir para algum lugar mais calmo. Longe dessa agitação de futebol e cerveja.

- Olha cara, Londres não é exatamente um lugar calmo. Lá também tem futebol e hooligans. A cerveja não é tão boa, mas nunca falta.

- Na verdade, eu estava pensando em ir para Israel, Javier. Quero conhecer a terra onde Cristo nasceu.

- Você quer uma dica, hermano? Fique longe do deserto. Se você acha que aqui está movimentado, não imagina o que acontece por lá. Vá para a Noruega, as coisas são mais calmas por lá. Chegam a ser monótonas.

- Não, Toro. Eu sinto que meu destino é ir para Jerusalém. Algo dentro de mim diz que lá eu encontrarei a minha paz.

- Tudo bem, em breve todos os lugares desse planeta vão estar bem mais calmos. Pode confiar em mim.

Ruslana ficou me observando por alguns instantes como se me estudasse, mas preferiu não dizer nenhuma palavra.

Como era previsto, saímos atrasados, mas, ainda assim, a tempo de chegar ao estádio antes das 16h. Fiquei maravilhado com o estádio lotado. Aquilo seria minha despedida da Irlanda.


Texto: Fernando “Tucano” Russell
Ilustrações: Brunner Franklin
Revisão: Lucio Nunes

26 Comentários
1 son diz:
há 3 anos e 8 meses

WAHHHHHHHH Muito bom ^^

2 Dynamo diz:
há 3 anos e 8 meses

@tucano kra mto bom .. mto bom mesmo .. to esperandop vc publicar um livro !!

3 gustavo psiu diz:
há 3 anos e 8 meses

ahhh, aleluia, ate que enfim saiu, mas eu estou indo pro colégio agora e não posso ler, se não me atraso para a prova de historia e química, me desejem sorte! (ou não)

4 Tucano diz:
há 3 anos e 8 meses

Boa sorte…

5 Jhonatan Carreira diz:
há 3 anos e 8 meses

Legal ver que não é preciso ter AÇÃO DESENFREADA em todos os capítulos pro conto continuar divertido.

Basta incluir uma russa linda. (y)

6 Chumsk diz:
há 3 anos e 8 meses

Mais um capitulo muito bom… estava ancioso para essa sequencia e agora estou ainda mais para a proxima uaehuaheaue!

excelente trabalho tucano =D

7 Erick Koguma diz:
há 3 anos e 8 meses

“falar do jogo e escrotizar os adversários”
sem mais a falar hauhauhauah

8 LFSETE diz:
há 3 anos e 8 meses

Muito irado essa nova parte, parabéns Tucano.
Estou no aguardo por mais contos intrigantes como o seu aqui no site.
Abraço.

9 Marcelo Alves diz:
há 3 anos e 8 meses

O legal nessa história são as referências: 1408 e Iron Maiden (Fear of the Dark).

10 Mateus diz:
há 3 anos e 8 meses

muito boa essa nova parte
as imagens continuam otimas, a ideia de por links para os lugares visitados foi boa e o mapa tambem
so acho que se tivesse algumas indicaçoes no mapa ninguem teria de ficar procurando por ruas e lugares
de resto tudo muito bom cntinue assim tucano

11 Igor diz:
há 3 anos e 8 meses

Como sempre o capitulo está excelente, estou a espera do próximo

12 gustavo psiu diz:
há 3 anos e 8 meses

só digo uma coisa: ph@da demais, eu também peguei a referencia ao 1408, mas não vi essa do Iron Maiden marcelo. agora vai demorar muito pra lançar o próximo capitulo, não aguento mais!!
(me dei bem na prova hauhauhauh, a matéria era guerra fria então pus varias coisas que escutei no nerdcast da guerra do Vietnã)

13 Tucano diz:
há 3 anos e 8 meses

Ae Marcelo, estava só esperando quem acharia Fear of The Dark nesse capítulo. Parabéns!

14 sTONehenge diz:
há 3 anos e 8 meses

Nossa!Que coincidência gigantesca, eu terminei de ler Sitala antes de ontem e já fiquei ancioso pela contiuação e pasmém,um dia sem mexer na net e tá aí a continuação!Fear Of The Dark foi muito fácil achar…1408 que eu não entendi.Mas então, Dynamo, o Tucano está com um livro dele no ar na net; Draconiano: http://draconiano.com.br/blog/
Com certeza essa será minha próxima leitura.

15 evilmirror diz:
há 3 anos e 8 meses

tucano vc ta de parabens!e eh soh isso senao eu fico sentimental.nada pessoal garoto.kkkkkkkkkkk

16 gustavo psiu diz:
há 3 anos e 8 meses

sTONehenge, o 1408 é uma referencia a um filme que se passa em um quarto sinistro (o cara é um escritor e fala sobre várias coisas… ahh eu não sei explicar a história, então ai vai a sinopse (copy/paste)
1408
Mike Enslin (John Cusack) é escritor cético e famoso por suas obras sobre paranormalidade, as quais começou a escrever após a morte da filha. Para terminar seu livro Dez Noites em Quartos de Hotéis Mal-Assombrados, hospeda-se no hotel Dolphin e passa uma noite no quarto 1408. Mesmo com os avisos do gerente Gerald Olin (interpretando pelo nosso grande Samuel L. Jackson) sobre a morte de quase 60 pessoas naquele quarto, ele decide enfrentar os medos e encarar o desafio

e eu não achei a referencia ao Iron maiden pq eu não sou muito chegado. (sim podem começar a tacar as pedras)

17 Gabriel diz:
há 3 anos e 8 meses

“I am a man who walks alone, and when I’m walking a dark road, at night or stroling through the park…”

18 fábio diz:
há 3 anos e 8 meses

hahaha passei batido pela referência a música, só depois de ver nos comentários que achei

19 sTONehenge diz:
há 3 anos e 8 meses

Caraca, acho q já vi trailer desse filme, mas o filme mesmo nunca.Eu tava viajando tanto q eu pensei q fosse algum quarto do Silent Hill, o jogo.Mas nada a vê, só consigo lembrar do Silent Hill 4 q foi num quarto 408.
Valeu Gustavo!
PS: Alguém já leu Draconiano?

20 Tucano diz:
há 3 anos e 8 meses

Eu já. É muito bom!!! hehehehe

21 sTONehenge diz:
há 3 anos e 8 meses

TUCANO!!!Eu acabei de ler Draconiano e cara, có confirmei o quanto suas histórias são boas!Parabéns, excelente histórias, estou louco pela continuação de ambas.E também estou na espera de um livro seu fora da tela, um livro seu eu não perco…perdi a Batalha do Apocalipse e fiquei louco, isso porque eu nem ao menos conhecia o Jovem Nerd quando saiu!
Como sou fã, o anúnucio de um livro seu eu não perderia!

22 Spasmos diz:
há 3 anos e 8 meses

Irado demais, as referencias deixa o texto ainda melhor.

23 lucas diz:
há 3 anos e 8 meses

aee mto bom o conto … unica coisa ruim eh o tempo q se tem q esperar pra ler os capitulos …

24 gustavo psiu diz:
há 3 anos e 7 meses

pow… e o problema é que agora ele tem que atualizar draconiano, que é bom e estou esperando o update, e sitala, idem ao anterior, e vai demorar mais pra atualizar

25 Tucano diz:
há 3 anos e 7 meses

Fiquem frios, o Draconiano não vai atrapalhar o Sitala, porque já está todo escrito. Aqui demora porque além do texto, ainda temos que fazer a revisão, produzir as imagens, colorir, etc…

O próximo capítulo será no dia 1 de outubro, se não me engano.

Abraço a todos.

26 korem diz:
há 3 anos e 7 meses

kd o proximo capitulo???? ja deu 1 de outubro =D

Comenta aí, nerd!

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*