Um nerd na Bienal
O paraíso, no Rio de Janeiro| Terça-feira, 6 de outubro de 2009 | Guilherme Costa |

Imagine um daquelas oportunidades únicas que aparecem somente uma vez… Ou as cada dois anos, pelo menos! Livros, quadrinhos, mangás, RPGs em livros do jogador e livro do mestre, edições especiais, edições raras, e tudo isso com descontos até bem tentadores.
Assim estava sendo a XIV Bienal do livro, que foi até o dia 20 de setembro, no Riocentro, Barra da Tijuca, RJ. As maiores editoras estão envolvidas na feira, e trouxeram o seu arsenal para conquistar leitores de todas as idades.
Uma das novidades da feira deste ano é a interação com o público: chegando na Bienal, você tem a possibilidade de baixar conteúdos exclusivos para o seu celular direto dos estandes de exibição! Uma outra novidade fica por conta dos leitores e usuários da Bienal, que usam o Twitter para informar sobre novidades, promoções, ou até mesmo a localização dos seus autores ou eventos favoritos.
Se você reparar direito, vai notar que uma revolução silenciosa está tomando conta de toda livraria que se preze.
Antigamente, quadrinhos, graphic novels, mangás e RPGs ficavam em cantos obscuros das lojas, e os corajosos que iam em direção à estes itens recebiam olhares de admiração de uns, e despeito de outros. Pelo menos eu me sentia assim. Agora merecem destaque à frente dos estandes, e muitas vezes logo na entrada destes locais. E isso está se refletindo na feira.

Um exemplo disso é a editora Panini, representante no Brasil da Marvel, da DC Comics, e que recentemente adquiriu os direitos de publicação de MAD. O estande na feira é comparável às maiores editoras do mercado (em tamanho e número de visitações), e eles trouxeram títulos de peso. Edições correntes mensais, históricas, raridades, combos e até novidades bem recentes estão disponíveis para compra, tudo isso observado por uma estátua do Hulk de 2,5 metros. É possível completar a sua coleção, adquirir uma assinatura, ou procurar por aqueles itens raros para comprar no meio das estantes repletas de comics dos seus heróis favoritos.
Dentre os títulos, se destacam os especiais do Wolverine (“Inimigo de Estado”, “Eu, Wolverine”) e do Batman (“A Piada Mortal”, “O Long dia das Bruxas”, “Queda do Morcego”), mas outros heróis como Demolidor, Superman, IronMan e Spiderman também tem seu destaque garantido. Watchmen aparece em dois formatos, seja nas edições originais (Volume I e II) ou na edição definitiva, com o relógio da morte na capa. Além disso, a Panini também está representando os quadrinhos da Turma da Mônica e Turma da Mônica Teen, além dos mangás de Naruto, e todos estes itens estão disponíveis para compra.

Mas voltando à feira, o estande da Panini me hipnotizou de uma tal maneira que eu acabei me desviando do meu objetivo principal: acompanhar a palestra de Bernard Cornwell, que começava no pavilhão Azul, Auditório Euclides da Cunha. O site da Bienal informava que as senhas seriam distribuídas a partir das 18:30, uma hora antes da palestra. Planejei a minha jornada para chegar ao pavilhão às 18hs, com tempo de folga para pensar nas perguntas que gostaria de fazer ao Sr. Cornwell: Quais seriam as influências que o escritor leva em consideração quando vai iniciar uma obra nova? Qual seria a sua visão com relação às mídias modernas e a disputa de atenção dos jovens leitores?
Ia eu divagando sobre tais perguntas até chegar ao auditório, e uma grande frustração tomar conta: o espaço tinha capacidade para 390 pessoas, e a fila já estava com mais de 2000 fãs! Após um leve desespero, procurei me informar sobre senhas para o auditório, se ainda houvesse alguma! Não, infelizmente todas as senhas estavam esgotadas, principalmente porque foram distribuídas às 10 da manhã, ao contrário do que havia informado o site do evento (infelizmente, o desencontro das informações no site iria se tornar uma constante).
Desisti da palestra e fui para o estande da editora Record, onde o autor apareceria para uma seção de autógrafos depois de sua apresentação para os sortudos do auditório. Outra triste surpresa, todas as 100 senhas para autógrafos já haviam se esgotado, e também tinham sido distribuídas às 10 horas da manhã. Ou seja, para poder assistir a palestra e autografar os meus livros, eu deveria estar no estande da editora ANTES da Bienal abrir, já que alguns fãs chegaram às portas do evento antes das 9 da manhã, antes mesmo da abertura dos portões!

Se por um lado premia o esforço dos fãs mais devotos, por outro lado pune os demais que não tem toda uma sexta feira para deixar à disposição da Bienal. Além de ser contrário às informações do site.
Frustração à parte, perto das 9 da noite rolou a sessão de autógrafos, e devido à quantidade de fãs perto do stand, até tirar uma simples foto estava muito difícil. Nada como uma boa posição aliada à um celular para resolver a situação. Também consegui uma foto do autógrafo, já que um real eu não conseguiria. Pouco depois, ainda consegui conversar com algumas pessoas sobre como foi a palestra, e a resposta em geral levava ao lado do bom humor com que Bernard se relacionou com o público. As Crônicas de Arthur e a série de Sharpe dominaram a seção de perguntas e respostas, e o Sr. Cornwell se mostrou bastante humorado sobre a sua recepção no Brasil.

Antes de deixar o stand da Record, ainda reparei em duas estátuas em gesso, do Asterix e do Obelix.
Ainda deu um tempo para rodar um pouco pela feira para programar a visita do dia seguinte, e assim conseguir um material com mais foco, sabendo onde estão os hotspots para Comics, Mangás, RPG e outros.
Rodando pela feira, você consegue achar boas surpresas, como os mangás da série Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Vagabond, Evangelion, Hunter x Hunter e muitos outros em coleções completas por preços absurdamente baixos, além de clássicos como Ziraldo, Mafalda, Quino, Garfield e outros. O pavilhão Azul concentra as maiores editoras, como Saraiva, Siciliano, Globo, Abril e Panini, que tem uma tendência em mostrar mais os últimos lançamentos, enquanto o Pavilhão Verde é bem mais voltado à venda extensiva de coleções, como faz o estande da Comix. Esse era um dos stands mais concorridos, sendo muito fácil achar quase as mesmas publicações mostradas na Panini, principalmente Marvel e DC, mas destacava-se pela boa quantidade de exemplares, além de coleções completas a preços bem acessíveis.

Alguns estandes mais abaixo, ainda no pavilhão Verde, você encontrava vários livros de RPG disponíveis, sejam D&D, AD&D, Vampires, livros-jogo, Livros para Mestres e Livros para Jogadores, edições completas (Livro Mestre + Livro Jogador + Sistemas), além de Card Games (Magic apresentava uma seleção bem extensa), e claro, mais alguns comics conhecidos, como X-Men, IronMan e Batman.

Um pouco mais tarde, tive uma grata surpresa: Jovane Nunes, ator da companhia de comédia “Os Melhores do Mundo” e autor do livro A Outra História Do Brasil, estava no estande da editora Planeta, e distribuía autógrafos para seus leitores. O livro em questão se assemelha bastante com o tom dado ao Nerdcast 172, que contou as histórias do Brasil Império de uma maneira mais escrachada, porém representa um lado ainda histórico ao se prender a fatos e reportes da época. Claro que consegui o meu autógrafo, e ainda bati um papo com ele, que falou que curte alguns mangás, como Vagabond e Dark Metro. E ainda deu algumas dicas de como encontrar mangás com preço bem em conta na Bienal. Infelizmente uma entrevista mais aprofundada não seria possível devido aos compromissos do autor, mas o bate papo já havia rendido.

Passeando pelo pavilhão Azul, me deparei com a coleção completa da Planeta D’Agostini, que trazia vários personagens de Star Wars em bonequinhos de chumbo, e dediquei uns bons 10 minutos a observar detalhes de cada um deles. Darth Vader, Obi-Wan, R2D2, Mestre Yoda, todos estavam com detalhes fielmente reproduzidos, numa redoma de vidro. Por sinal, no NerdCast 166, Alottoni e Azaghal comentam o que você deve fazer para conseguir completar a sua coleção.
Perto das 14hs, fomos para a fila para ter uma chance de um autógrafo com o autor e cartunista Ziraldo, que estava na Bienal no estande da editora Melhoramentos, assinando pelo seu novo livro O Diário da Julieta e Ziraldo 40 Anos. Já na fila, avistei uma série de livros que me chamaram a atenção. Eram em geral itens da cultura pop sempre relacionados à filosofia:
- Os Simpsons e a Filosofia
- Lost e a Filosofia
- Seinfeld e a Filosofia
- Wacthmen e a Filosofia
- House e a Filosofia
- Batman e a Filosofia
- 24hs e a Filosofia (Que filosofia? “Do it NOW” é filosofia??? Heheheheh)

De volta ao estande da Melhoramentos, Ziraldo já estava autografando e desenhando para seus leitores. Muito simpático, o autor brincava com todas as crianças, sem se importar com a quantidade de livros que cada um tinha para assinar. Desenhos, autógrafos e frases eram personalizados para cada um dos seus pequenos leitores.

E eu tinha um autógrafo em especial a perseguir: Maurício de Souza, criador da Turma da Mônica.
Ele apresentava o seu livro, o “MSP 50 anos”, e estava na Bienal, no estande da Panini, para um seção de autógrafos, com direito a um desenho de seus personagens de acordo com o seu gosto.
Pessoalmente, foi como encontrar um dos criadores de personagens responsáveis por muita leitura na infância, e devo admitir que ler as historinhas da Turma da Mônica ainda trazem a mesma alegria de quase 15 anos atrás.
E ainda aproveitei para pedir um autógrafo deste grande artista para o Jovem Nerd.

Fim do dia, e era hora de ver o que eu havia conseguido encontrar de interessante na Bienal:
- Panini Comics:
- Wolverine Logan
- Capitão América: Morre uma Lenda (Volumes I e II)
- Demolidor: O Homen Sem Medo
- Eu, Wolverine
- Batman Silêncio: Edição Definitiva
- Batman: A Piada Mortal (Edição Definitiva – Capa Dura)
- Morte do Superman (Edição Especial Volume 1)
- Watchmen Volume I e II e Edição Definitiva
- Turma da Mônica: Especial Michael Jackson
- Comix
- Combo Especial: Eu, Wolverine + Origem
- Lanterna Verde: Crepúsculo Esmeralda + Novo Amanhecer
- Maiores Clássicos do Demolidor
- Homem-Aranha: Caído Entre os Mortos
- Demolidor: Diabo de Guarda (de Kevin Smith – sim, AQUELE Kevin Smith)
- Guerra Civil Marvel Especial
De um modo geral, essa foi a primeira Bienal em que as editoras apostaram de peso nas publicações para o público juvenil. Além do que citei aqui, haviam também disponíveis toda a série Crepúsculo, da autora Stephenie Meyer, cujo espaço por sinal ocupava sozinho quase metade do estande da editora, e os livros da autora Thalita Rebouças, voltados ao público adolescente feminino.
Essas várias atrações para crianças e adolescentes me deixaram mais feliz por saber que existe sim um movimento para evitar que as próximas gerações sejam somente “conectadas” e totalmente sem cultura. E sinceramente acredito que os quadrinhos e mangás podem muito bem desempenhar um papel fundamental na formação do caráter destes novos leitores.
Tags: Bienal, Comix, Jovane Nunes, Mauricio de Sousa, Panini, Record, Thalita Rebouças, ZiraldoPublicado em Cabeceira |
FALANDO NISSO

Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 6:30 am
Esqueceu de falar sobre o stand da Devir…
Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 7:17 am
“Antigamente, quadrinhos, graphic novels, mangás e RPGs ficavam em cantos obscuros das lojas, e os corajosos que iam em direção à estes itens recebiam olhares de admiração de uns, e despeito de outros.”
Nem era tão antigamente assim. Eu fui a Bienal alguns anos atras, foi ou em 2003 ou 2005, nao lembro. Mas esse era meu sentimento.
Ser Nerd está na moda, eu não ruim, longe disso, acho órimo, pois a disponibilidade de bons produtos estão aumentando consideravelmente.
Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 7:58 am
A Bienal deste ano estava mesmo MUITO boa, apesar do foco ter sido as crianças, nós Nerds pudemos aproveitar um bocado (#giriadavovó)!
Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 9:09 am
Muitooo fodap , vo Correndo ir comprar , pois é uma rara Oportunidade na Bienal *.* .
Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 10:30 am
Ele falou do estande! O único lugar que tinha livros de D&D era lá.
Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 10:44 am
Ela vai até 20 de setembro ou foi até 20 de setembro?
ou seria outubro mesmo?
Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 10:47 am
Não gosto da Bienal…
Todo o objetivo de uma feira de livros é ter preços mais baratos. A bienal sempre engana e tudo é muito caro. Qualquer livro ofertado no evento tem um preço muito menor no mercado livre ou no ebay.
Abraços.
Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 10:47 am
Ah, eu quase passei o mesmo que você para ver o Bernard. Só que eu cheguei na fila as 5h, e já estava ENORME. Contudo, eu tive sorte e encontrei uma colega do meu ex-colégio no comecinho da fila. Não preciso dizer que, obviamente, grudei nela.
Falando nisso, fiz vídeos da palestra, contudo, não consegui passar todos e sofri um enorme problema com a minha máquina: falta de espaço no cartão (que era de 2GB). De qualquer forma, aí vai o link pelo menos do começo: http://www.youtube.com/watch?v=VUSWR3xtrPQ
E sobre os autógrafos, por sorte um amigo de um amigo só iria autorafar um livro, e como poderiam ser autografados dois, eu dei um meu para ele e pelo menos um autógrafo ganhei. Mas sério, a infelicidade de não conseguir ver o Bernard BEM de perto e de ao menos tocá-lo me fez chorar horrores quando cheguei em casa e finalmente caiu a ficha.
Se eu não tivesse conseguido o autógrafo com esse conhecido, juro que pagaria o maior mico do mundo e choraria ali mesmo, na frente do Bernard só para ele me dar um autógrafo.
Achei escrotíssimo isso de distribuirem apenas 100 senhas, E DE MANHÃ. Quer dizer, porque a Meg Cabot tinha 400? Mas no domingo o Bernard ia autografar novamente, só que infelizmente eu tinha aula.
De qualquer forma uma crítica à Bienal é a falta de comunicação entre seus setores, e muitas vezes num mesmo setor. Cada pessoa dava uma informação diferente, isso quando não dizia que não fazia a menor idéia… Odiei isso com o Bernard e me senti MUITO frustrada.
Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 11:30 am
Owwwwww, orgasmos múltiplos! suahsuhaushuahsuahusha
To esperando alucinada pela Bienal aqui em Sampa, não demora peloamordemerlin!
Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 3:09 pm
Esses livros “Blablabla e a filosofia” são piadas prontas.
Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 5:54 pm
eu consegui um autógrafo do cornwell só por MUITA sorte de estar passando pelo estande da record e achar uma conhecida que me avisou das senhas. desorganização completa do evento…
eu achei o estande da devir tão pequeno o_O
Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 6:13 pm
Em SP a bienal do livro acontece nos anos pares. Vou em todas desde 1998
Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 10:09 pm
Legal! Também quero autógrafo na próxima Feira do Livro em Belém do Pará, sendo Maurício de Sousa convidado especial. Estarei novamente na fila, desta vez para pegar autógrafos para os netos e novamente para os filhos “marmanjos”. Quem não gosta da Turma da Mônica? Minha atual paixão (nem tão recente) é a edição sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Sobre seu blog, vou visitá-lo mais vezes. Gostei dessa postagem.
Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 8:18 am
Nossa, Guilherme.. vc é bem bonito….
Mas, o conteúdo da matéria também me agradou…
Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 7:06 pm
O GUILHERME É LINDO MESMO….!!!
e casado… eeeee….. Comigo… ahuahuahua
#ciuminhobasico
Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 8:14 pm
A bienal de Recife foi um saco, não teve nada alem de escritores locais, sorte de vcs
Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 12:40 pm
Como assim “foi um saco”? Já acabou? (Não duvido que seja mesmo um saco, mas amanhã pretendo passar lá)
Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 12:57 pm
A bienal foi ótima, muito boa mesmo, mais o melhor foi os meus autógrafos do cornwell no meu rei do inverno e no arqueiro. Foi incrivel, ele foi muito simpático e até trocou algumas palavras comigo, esse foi um dia inesquecível.
Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 5:40 pm
A bienal estava ótima mesmo, mas a senha para os autógrafos do Cornwell não foram distribuidas às 10h da manhã não. Foi entre 14h e 15h, se não me engano. O meu amigo conseguiu os autógrafos e eu o encontrei por lá por volta desse horário, onde a fila nem estava quilométrica ( mas com a poluição sonora das fãs da Meg Cabot nas alturas)
Aproveitei bastante, pena q a Devir não estava com tanto material assim, senti falta de muitos títulos…
Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 8:46 pm
é verdade sofri o mesmo despeito da bienal na palestra de Bernard Cornwell. Sai do trabalho mais cedo para chegar,contudo…o mais interessante foi os stands da devir,panin e uns livros meios loucos da madras editora.Da panini, peguei apenas o evangelho segundo lobo que foi florida..
Terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 3:50 pm
não deu pra ir esse ano não