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Ignorância é Força!

Cabeceira [Literatura]
Segunda-feira, 30 de junho de 2008 Daniel John Furuno

Um grande amigo meu costumava ir, nos finais de semana, a baladas que a maioria das pessoas consideraria trash, como o Rampa’s e o Caipirão (quem mora na Grande São Paulo talvez conheça a reputação desses locais). Lá, ele sempre enchia a cara e acabava beijando alguma baranga. Quando alguém perguntava por que ele fazia aquilo, ele respondia laconicamente: “Ah, só pra zoar”.

Os mais corajosos chegaram a acompanhá-lo em algumas dessas aventuras e puderam testemunhar que o rapaz parecia, na verdade, empenhado numa missão pessoal de, a cada noite, fazer a alegria de uma mulher muito feia. Obviamente, por conta disso, ele passou a ser sacaneado pela turma. Até o dia em que ele calou a boca dos engraçadinhos (mas só durante alguns segundos) ao disparar a pérola: “Vão se f*der. Todo mundo tem um lado podre; eu, pelo menos, assumo o meu”.

O inconfessável lado podre da humanidade é o que motiva e justifica a existência dos reality shows. Embora quase ninguém admita, todo mundo gosta de bisbilhotar a vida dos outros, de rir da desgraça alheia e de se divertir às custas dos defeitos do próximo (talvez por inconscientemente reconhecer ali os seus próprios defeitos). E um programa de tevê no qual uma dúzia de pessoas ordinárias (no sentido de “comuns” e também no de “ordinááááárias”) fica confinada numa casa, monitorada 24 horas por dia por dezenas de câmeras escondidas, é um verdadeiro banquete no qual se refestela o nosso lado voyeur.

Pode não ser uma idéia muito original, mas tornou-se um sucesso, foi licenciada em quase 70 países e tem feito a fortuna de seu criador, o holandês John De Mol. O toque de mestre, é preciso admitir, foi batizar o tal programa de Big Brother.

Infelizmente, o brasileiro médio parece considerar uma chatice qualquer coisa que seja remotamente relacionada à literatura. Por isso, o “Homer” (como diria William Bonner) ignora o fato de que Big Brother, ou Grande Irmão, é uma esperta referência a 1984 (IBEP – Nacional), clássico de George Orwell. O livro é, ao lado de Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, um dos mais perturbadores retratos de um futuro fictício, mas nem por isso impossível. Publicada originalmente em 1949, a genial obra de Orwell nos mostra um mundo dividido em três superpotências: a Oceania (?!), que compreende as Américas, a Austrália e o Reino Unido; a Eurásia, que compreende quase a totalidade da Europa e a antiga União Soviética; e a Lestásia, que compreende a China, o Japão e outros territórios asiáticos.

livro 1984A Oceania é governada por um regime totalitário, encabeçado por uma organização política conhecida simplesmente como Partido. A população é mantida sob controle absoluto, fiscalizada pela Polícia do Pensamento, ludibriada pelos boletins informativos do Ministério da Verdade e monitorada 24 horas por dia através das “teletelas” – aparelhos que captam e transmitem imagens, estão espalhados por todos os cantos e não podem jamais ser desligados. A força do Partido é personificada na figura de seu líder, o Grande Irmão, um sujeito que ninguém nunca viu pessoalmente, mas cuja imagem ilustra estátuas e milhares de pôsteres com os dizeres: “O Grande Irmão zela por ti”. Para extravasar os sentimentos reprimidos da população, diariamente é promovido um evento chamado Dois Minutos de Ódio, no qual todos os cidadãos, em frente a um telão, vociferam palavrões e gestos violentos contra a imagem de Emmanuel Goldstein, um “degenerado e traidor”, que é apresentado como o grande inimigo do Grande Irmão e da própria Oceania.

O protagonista da trama é Winston Smith, um funcionário aparentemente exemplar do Ministério da Verdade, que trabalha no Departamento de Registro, responsável por “corrigir” notícias antigas que foram publicadas na imprensa. Por conta disso, ele acaba desenvolvendo a consciência de que o Partido está, na verdade, constantemente reescrevendo o passado para que ele se encaixe em seus interesses atuais. Por exemplo: apesar de o Partido afirmar que a Oceania está em guerra com a Eurásia e é aliada da Lestásia (e que as coisas sempre foram assim), Winston se lembra que, algum tempo atrás, a guerra era contra a Lestásia e a Eurásia é que era a aliada. Com o tempo, essa consciência de Winston se transforma em revolta e ódio contra o regime, o Partido e o Grande Irmão.

A maneira como Orwell retrata um governo oligárquico, que controla a informação e tenta reescrever a História, remete, em certos pontos, a outro clássico de sua autoria, publicado quatro anos antes: A Revolução dos Bichos (Cia. das Letras). Na trama, os animais da Granja do Solar, cansados de serem explorados e oprimidos, revoltam-se e expulsam os humanos, tomando posse da fazenda. O levante é liderado pelos porcos, os animais mais inteligentes, e que, por isso mesmo, ficam incumbidos de organizar a nova administração. Aos poucos, os outros bichos começam a perceber que, com os porcos no comando, as coisas não são assim tão diferentes de quando eram controlados pelos humanos. Trata-se, é claro, de uma alegoria à Revolução Russa de 1917 e à posterior formação da União Soviética.

Mas que ninguém pense que Orwell era apenas um inglês (nascido nas Índias Britânicas) conservador que gostava de criticar o Socialismo. Pelo contrário, ele era um grande defensor da esquerda, fazendo oposição apenas ao Stalinismo (facção que dominou a URSS logo após a Revolução e que, segundo muitos, traiu seus verdadeiros ideais). O escritor nutria enorme simpatia pela causa proletária, provavelmente uma herança dos tempos em que virou praticamente um mendigo. Esse período miserável de sua vida (no qual trabalhou como plongeur num hotel em Paris e depois, de volta a Londres, foi forçado a perambular pelas ruas, penhorar suas roupas e dormir em albergues para desabrigados) é narrado no interessantíssimo Na Pior em Paris e Londres (Cia. das Letras), seu primeiro livro, para o qual, inclusive, inventou seu famoso pseudônimo – sim, porque George Orwell, na verdade, chamava-se Eric Arthur Blair.

Lúcido, crítico e, em certos aspectos, ingenuamente idealista, Orwell também pode ser apontado como visionário. A sociedade retratada por ele em 1984 é constantemente definida como “distopia”, mas talvez não esteja assim tão distante da realidade. Os computadores, que podem muito bem fornecer inúmeras informações a respeito de seus usuários, não são comparáveis às “teletelas”? O governo de George W. Bush, ao justificar sua “guerra ao terror” como sendo uma resposta à ameaça representada por Osama Bin Laden e Saddam Hussein, não recorreu a uma estratégia semelhante àquela empregada pelo Partido, que concentrava todo o ódio da população contra o inimigo Emmanuel Goldstein? Os Dois Minutos de Ódio não são, por acaso, um evento catártico, que entretém o povo e desvia sua atenção dos problemas reais, tal qual uma partida de futebol ou, quem sabe, um reality show?

É. O brasileiro médio não sabe de onde vem o nome Big Brother. O “Homer” está mais interessado em saber se vai rolar alguma treta dentro da casa, se algum casal vai se pegar ou se alguma das gostosas vai pagar peitinho. E se você perguntar por que ele assiste aquele lixo, ele provavelmente vai responder laconicamente: “Ah, só pra zoar”.

OBS. 1: O título do texto é uma alusão ao lema do Partido: “Guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é força”.

OBS. 2: Para comprar 1984 e outros títulos de George Orwell, basta clicar no link do Submarino abaixo


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Publicado em Cabeceira |
FALANDO NISSO
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35 COMENTÁRIOS

  1. Vinícius C. diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 5:59 pm

    Nossa, muito boa essa coluna! Essa história do Big Brother e o por que do seu nome me deixou bem assustado!
    A ficção está cada vez mais perto de nós!

  2. Squivo diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 6:09 pm

    Recomendo também a leitura de outros livros do Orwell como Dias na Birmânia e Lutando na Espanha.

    Orwell é um mestre.

  3. Harvox diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 6:42 pm

    Muito bom esse livro, li faz tempo e realmente ninguém sabe de onde vem o nome daquela porcaria da endemol…é triste

    Escreva uma coluna sobre o “Admirável mundo novo” que é outro livro muito mega-boga…

    Vou imprimir sua coluna e colocar lá na biblioteca que eu trabalho…

    Orwell é um mestre.[2]

  4. Paula diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 7:00 pm

    Do Orwell, só lí A Revolução do Bichos; muito, muito bom. Lerei em breve 1984 mas, pelo que lí, deve ser domemso patamar do primeiro :D

    Orwell é um mestre. [3]

  5. Igor diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 7:09 pm

    Moro na grande São Paulo, mais precisamente no município onde ficam as duas baladas, Embu das Artes, e realmente, entrar ali, só com muita coragem…

    Sempre digo que o brasileiro médio é maioria e que se quisermos nos sobressair basta tirar o crayon do cérebro (tm. Alexandre Jovem Nerd Ottoni).

  6. Tavos diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 7:18 pm

    Pra quem gosta de sci-fi distópica tipo o 1984 e o Admirável Mundo Novo, uma sugestão excelente é o nacional “Não verás País nenhum” do Ignácio de Loyola Brandão.

  7. Peterson diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 8:17 pm

    Muito bom livro, recomendo que todos leiam!

  8. Leonardo diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 12:31 am

    Pra completar a “Trindade Distópica” junto com 1984 e Adimirável Mundo Novo, sugiro que leiam Laranja Mecânica, de Anthony Burgess.

    Ah! E vejam o clássico filme do Kubrick também, que é tão foda quanto o livro.

    Orwell é um mestre. [4]

  9. Ovelha diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 5:21 am

    Vale também comentar que as classe proletárias no livro 1984 tem como uma de suas maiores fontes de entretenimento uma loteria. Sim, uma loteria! Onde muitos poucos ganham, mas muitos pensam estar perto de ganhar. Algo muito próximo do que vemos hoje em dia.

  10. Henriques diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 8:00 am

    Infelizmente a literatura não atrai as grandes massas, porque o sistema “pedagógico” ainda não estimula a leitura onde deve ser estimulada, na adolescência. Só na infância não dá!
    Excelente texto, boa conclusão!

  11. Aoshi Shinomori diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 10:25 am

    Realmente, 1984 é excelente. Li há alguns anos, quando estava na faculdade. Espetacular.

  12. Gley Riviery diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 10:57 am

    Parabéns pela coluna. A única coisa de que eu sempre senti falta no Jovem Nerd foi tratar de literatura, que é um assunto muito presente na minha vida nerd. Eu sei que Bernard Cornwell e Dan Brown já deram as caras por aqui, mas eu queria ver literatura de verdade, clássica, e não apenas best-sellers.

    1984 é uma excelente obra, sempre presente no meu Top 5, e George Orwell tem o meu respeito eterno. Para mim, a característica mais marcante do livro (apesar de não ter sido citada na coluna) é a quantidade de “camadas” da história, provocando consecutivas mudanças de sentido em seu decorrer. O próprio lema do Partido me trouxe três interpretações à medida que a leitura avançava.

    E eu sou do tempo que o outro se chamava “A Guerra dos Bichos”.

  13. Pericolo diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 1:30 pm

    Ótima essa coluna!

    Orwell é um mestre. [5]
    Eu estudei um período de Literatura Britânica no curso de Professor do CCAA. Dentre outros escritores sensacionais, Orwell e Hulxey.
    Já li “Animal Farm” e estou lendo atualmente 1984. Até agora realmente é um livro muito bom. Tenho vontade de ler os outros livros dele!
    Tem desconto pros outros livros dele pelo link do Submarino no jovemnerd?

    AVE NERDS!
    Long Live Orwell

  14. Thomas diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 12:29 am

    Coincidentemente terminei de ler o livro (pela segunda vez) esssa semana. Um dos aspectos mais interessantes (e não mencionado na coluna) se trata do “duplipensar”: a habilidade de aceitar conceitos contrários sem questionar em momento algum. Hoje em dia se sabe que determinado politico roubou, tem conta no exterior, mas como não provaram nada, é como se ele não tivesse feito nada (duplipensar). O Departamento de “DEFESA” dos EUA é aquele que ATACA outros países pra encontrar armas de destruição em massa (duplipensar)… Sem contar “sorria vc esta sendo filmado” nos shoppings…

  15. Thomas diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 12:30 am

    Essencial hoje, mais do que no lançamento.

  16. Carlos Eduardo diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 1:34 am

    Uma frase que eu gosto muito do Geroge Orwell e uso muito é do Revolução dos Bichos: “Todos são iguais, mas uns são mais iguais que os outros”

    Muito boa a coluna, parabéns…

  17. Carlos Alberto diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 10:43 am

    Recomendo a todos como fora mencionado os livros do Aldos Huxley bem o do Ray Douglas Bradbury: Farenheit 45

  18. Daniela diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 4:22 pm

    A primeira vez que eu li este livro, no auge dos meus quatorze anos, o fiz por curiosidade. Nasci em 1984 e queria saber o que um livro com tal título poderia dizer. Fui criada para ser uma bitolada, pela escola e pela família. O gosto pela leitura me desviou desse caminho agonizante, e ao ler 1984 lá em 1998 eu fiquei chocada com tudo aquilo. Pensei se tratar apenas de uma ficção científica politizada, crítica à sociedade que poderíamos criar. Não conhecia a história de como e porque ela foi escrita. Quando descobri isso, já mais madura (aos 17 anos) reli o livro e fiquei ainda mais assustada. Sabia o quanto daquilo era real, e o quanto estava próximo da realidade. Conhecia a História, do livro e da Humanidade. Hoje, aos 24, ao ler esta coluna fiquei pensando em ler pela terceira vez o livro. Quem sabe a graduação em História e a minha trajetória pessoal complementem ainda mais a interpretação dos escritos…

  19. G4mbit diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 10:07 pm

    Excelente texto. Sempre quis ler “1984″, mas nunca encontrei e essa analogia ao Big Brother me deixou mais ansioso.
    Abraços.

  20. ObY_VyNnIcK diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 12:50 pm

    É galera…tá na hora de ter mais cultura…
    Este livro vou ler (por incrível que pareça).

  21. PARMITAUM diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 5:35 pm

    Cara… li os livros Admirável Mundo Novo, Portas da Percepção e 1984, os tres seguem mais ou menos a mesma linha, enquanto Huxley descreve a sociedade sem o pudor existente hj e o justifica com As portas da percepção, 1984 é uma realidad emais crua porém mais real.

  22. Sr.K diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 8:12 am

    Na mesma linha, é bom ver THX1138….

  23. Will Sparrow diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 5:18 pm

    1984 é m dos melhores livros que eu já li! E devo concordar: acho que aquilo que Orwell escreveu não é assim tão irreal quanto pode parecer… o.O

  24. Bárbara diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 8:04 pm

    Ah, eu tenho o 1984 e é maravilhoso …
    e foi bem criativo o post .
    ainda mais pelo fato de esclarecer de onde veio a
    ideia do big brother …

  25. Ela diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 11:26 am

    Bacana. George Orwell é excelente. 1984 é muito bom. E a Revolução dos bichos é sem comentários. Parabéns pelo post. Ela

  26. paulo diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 6:03 pm

    Acho que nenhum partido do mundo tem assim tanto poder. Vide a China em que apesar do isolacioniso de mais de 60 anos, com o advento da internet, não pode impedir o povo de conseguir informações.
    Só continuam no poder pelo uso da violência. Sem o apoio irrestrito do exército não haveria a China como é hoje.
    Será que Mao leu 1984?

  27. Sulley diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 7:46 pm

    Ótima coluna. E pensar que em outro famoso site “nerd” o principal escriba quase bate no peito dizendo que “não é chegado a ler”

  28. Marcelo Moorfo diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 11:59 pm

    Excelente! Parabéns pela coluna. E que a próxima venha logo.

  29. Tfarcevolph diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 11:46 pm

    Alguém sabe sobre o fato de 1984 ser um plágio descarado do livro “Nós” de Eugene Zamiatin, publicado em 1920? Com trechos e estrutura inteiros copiados do escritor russo?

  30. Tfarcevolph diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 9:30 am

    Aliás, também parabenizo pela coluna.

  31. Stormchaser diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 9:59 pm

    Infelizmente, as pessoas não têm o costume de pensar no que estão lendo, ouvindo, assistindo e, por conseguinte, filtrar aquilo que é direcionado e absorver apenas aquilo que é necessário, conveniente, etc.
    O povo brasileiro têm infinitas qualidades, mas não é um povo que, no geral, dedica sua mente a reflexões profundas e nem a meditações sobre o mundo que o cerca e nem sobre o mundo que a própria pessoa produz.
    A História é cíclica e vemos não só estampados por aí fatos que nos remetem à ficção e nos dão perturbadoras comparações e vislumbres possíveis do futuro, mas também a repetição dos fatos antigos. Grande parte da programação dos veículos de comunicação com foco nas massas se assemelham ao “Panis et Circensis” dos romanos. Nos jornais televisivos, assuntos que geram polêmica e enchem as pessoas de assuntos por várias semanas, como esses casos escabrosos de assassinatos de crianças. Os desvarios de nossos representantes no governo são mostrados de forma a pouco permitirem a reflexão e a construção da opinião e, para piorar, imediatamente após, são mostrados os famigerados “gols da rodada”. Paralelamente, os programas governamentais de transferência de renda oficializam o coronelismo e o paternalismo nas regiões mais necessitadas do nosso país.
    Dia após dia, Morpheus olha para o Neo em cada um de nós e pergunta qual das pílulas iremos tomar.
    “Free your minds”!

  32. Monique Garibaldi diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 9:32 pm

    Vlw o escrito. Vale salientar a novilingua e falescreve, alem das novas letras de musicas com as mesmas palavras, sempre repetidas. Na linha do livro, leiam Franz Kafka, O Processo, onde “poder é a capacidade de fazer o outro sofrer”. [Lembra algum governo moderno?]

  33. Luana diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 11:54 pm

    bah que legal os laços que vc criou para escrever este artigo e falar de Orwell,suas obras,BBB,etc..
    muito bom =D

  34. Cachorro Doido diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 4:56 pm

    Parabéns pelo texto!
    Muito legal mesmo. :-)

  35. thamyesdruxula diz:
    Segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 5:12 pm

    MUITO BOA A SUA CRÍTICA QUE TRAÇA UM PARALELO ENTRE “ADMIRÁVEL MUNDO NOVO” E OS REALITY SHOWS DA VIDA.
    EU SEMPRE QUIS LER ESSE LIVRO E AGORA ESTOU AINDA MAIS INCITADA!

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