E aí? Já matou alguém hoje?
Existem mensagens subliminares em livros famosos?| Segunda-feira, 2 de junho de 2008 | Daniel John Furuno |
Quem acompanhou a edição de número 72 do NerdCast, sobre teorias da conspiração, talvez tenha ficado curioso a respeito do livro O Apanhador no Campo de Centeio (Ed. do Autor). Eis um resumo da relação da obra com esse assunto:
Mark David Chapman, o sujeito que assassinou John Lennon em 1980, tinha uma cópia do livro em suas mãos quando foi encontrado pela polícia. Outro pirado, John Hinckley Junior, que tentou matar o então presidente norte-americano Ronald Regan em 1981, também tinha um exemplar no bolso.
Foi o suficiente pra que um monte de gente começasse a tentar ligar o romance a outros crimes. Uma teoria diz que a CIA teria desenvolvido uma espécie de programa de formação de assassinos por controle remoto (que sempre seriam conhecidos por três nomes, como Mark David Chapman e John Hinckley Junior), e que O Apanhador no Campo de Centeio teria algum papel importante na jogada. No filme Teoria da Conspiração (1997), estrelado por Mel Gibson e Julia Roberts e cuja trama empresta elementos da citada teoria, o personagem de Gibson é um desses assassinos do governo, programado pra comprar um exemplar do livro sempre que possível e, assim, manter a CIA constantemente a par de sua localização.(11) 3711-8858
Deixando de lado as maluquices, vamos aos fatos: O Apanhador no Campo de Centeio é o romance de estréia do estadunidense J. D. Salinger, publicado originalmente em 1951. Narra a história do adolescente Holden Caulfield, que acaba de ser expulso do colégio, um internato meio burguês. Ele não está nem um pouco triste com isso, já que considera a maioria de seus colegas esnobe. Sua única preocupação é a reação dos pais.
Com algum dinheiro na carteira, ele pega as malas e decide voltar pra Nova York, onde mora (o internato fica na Pensilvânia), mas não avisa ninguém. Ao invés de ir pra casa, hospeda-se num hotel. Toma um porre, vai a um clube de jazz, liga pra uma ex-namorada, contrata uma prostituta e briga com um cafetão, passeia no Central Park, encontra um ex-professor e visita sua irmã menor, Phoebe.
E é basicamente isso, sem grandes reviravoltas. Na verdade, o grande trunfo do livro não é exatamente a trama em si, mas a construção do personagem principal, sua visão de mundo e a maneira como se relaciona com ele. Trata-se de um brilhante retrato da adolescência, embora qualquer pessoa que já tenha se sentido deslocada seja capaz de se identificar com Holden. O protagonista se sensibiliza com a inocência das crianças e se revolta com a hipocrisia dos adultos, estando ele mesmo perdido entre esses dois mundos. O próprio título do livro é uma metáfora pra situação do personagem. Ele confessa a Phoebe que o único trabalho que consegue se imaginar fazendo é apanhar as crianças que estão brincando em um campo de centeio à beira dum abismo. Aliás, seu nome, Holden, soa quase exatamente como “hold them”.
Por pouco, Salinger não se tornou uma espécie de “one hit wonder” da literatura. O Apanhador no Campo de Centeio é seu único romance propriamente dito. Seu livro seguinte, o espetacular Nove Estórias (Ed. do Autor), publicado em 1953, é uma compilação de contos. Alguns deles trazem elementos autobiográficos – por exemplo, Salinger já trabalhou num navio (cenário de Teddy) e lutou na Segunda Guerra Mundial (como o protagonista de Para Esmé, Com Amor e Sordidez). Além de incluir algumas narrativas brilhantes (como O Gargalhada, simplesmente genial!), Nove Estórias também merece destaque por apresentar o leitor à família Glass.
Trata-se de um clã meio disfuncional criado por Salinger. É formado pelos pais Les e Bessie e por seus sete filhos: Seymour, Boo Boo, os gêmeos Walt e Walker, Franny, Zooey e Buddy – este último é escritor e uma espécie de alter-ego do autor. Os Glass são protagonistas ou personagens secundários em alguns dos contos (Um Dia Perfeito Para os Peixes-Banana, Tio Wiggily em Connecticut e Lá Embaixo, no Bote), bem como nas obras seguintes de Salinger – o interessante Franny & Zooey (Ed. do Autor) e o fraquinho Carpinteiros, (Cia. das Letras), ambos reunindo duas histórias curtas cada. Ao longo dos três livros, é possível perceber que os sete irmãos, que foram todos crianças-prodígio na infância, acabaram crescendo como adultos problemáticos.
O cineasta Wes Anderson afirma que os personagens de seu filme Os Excêntricos Tenenbaums (2001) são inspirados na família Glass. Provavelmente, é o mais próximo do cinema que a obra de Salinger irá chegar, uma vez que o escritor recusa-se terminantemente a vender os direitos de seus livros pra Hollywood. Outra coisa que chama a atenção no sujeito, que não publica material inédito há mais de 40 anos, é seu caráter meio eremita: há décadas não faz uma aparição pública ou concede uma entrevista.
OBS.: Carpinteiros, Levantem Bem Alto a Cumeeira e Seymour – Uma Apresentação está esgotado, mas pode ser encontrado em sebos, tanto na edição da Cia. das Letras quanto na da Ed. Brasiliense, que tem um título um pouco diferente: Pra Cima Com a Viga, Moçada! e Seymour – Uma Introdução.
Os outros três títulos (O Apanhador no Campo de Centeio, Nove Estórias e Franny & Zooey) podem ser adquiridos no Submarino, através do link aqui no Jovem Nerd, claro!
Tags: Literatura, Teoria da ConspiraçãoPublicado em Cabeceira |
FALANDO NISSO

Segunda-feira, 2 de junho de 2008 às 7:02 pm
O Apanhador no Campo de Centeio = MEGA BOGA!